
A tomada de decisão segue como um desafio para muitas empresas. Pressionadas por custos, concorrência e mudanças rápidas, muitas acabam escolhendo seus caminhos com base em impulsos e rotina, sem usar as informações disponíveis que estão à disposição. O resultado aparece no dia a dia: dificuldade de reagir ao mercado e desempenho abaixo do potencial.
Um levantamento do Google Cloud indica que a análise de dados pode ser uma ferramenta poderosa para tomadas de decisões. Conforme o estudo, instituições que organizam melhor suas informações conseguem agir com mais rapidez e eficiência. É em meio a esse contexto que a Aport Empresarial atua junto a empresários com foco em gestão, governança e estratégia.
Em entrevista, o sócio-diretor da consultoria, Jéferson Emílio de Souza, comenta como decisões melhor estruturadas impactam nos resultados, aponta erros comuns entre executivos e indica caminhos para sustentar o desempenho no médio e longo prazo.
Como decisões bem estruturadas influenciam o desempenho das empresas no médio e longo prazo?
Quando um empresário toma uma decisão, ele leva em consideração a própria experiência, mas isso nem sempre basta. Resultados mais consistentes aparecem quando essa vivência é combinada a métodos, análises e comparações. Esse conjunto ajuda a tornar as escolhas mais assertivas e a reduzir riscos. A troca de ideias e o olhar externo também fazem diferença, pois permitem aproveitar experiências já vividas em outros contextos e enxergar pontos que muitas vezes não aparecem dentro da rotina da empresa.
Em que momento o empresário precisa se afastar do operacional para olhar o negócio de forma mais estratégica?
Isso costuma ficar evidente quando a rotina passa a ser dominada somente pela resolução de problemas cotidianos. O famoso “apagador de incêndios”. Inadimplência elevada, processos que não funcionam, equipes insatisfeitas ou vendas que não se concretizam acabam ocupando todo o tempo e prendendo a gestão à operação. Quando isso acontece, falta espaço para pensar estrategicamente.
Esse é o sinal de que a empresa precisa olhar para frente. As principais lideranças devem se dedicar a definir os próximos passos, identificar oportunidades e mapear ameaças que podem impactar os resultados do negócio no futuro.
Quais são os erros de decisão mais comuns?
Um dos equívocos mais recorrentes é a percepção de que é possível ter controle total sobre tudo o que acontece dentro da empresa. Essa autoconfiança excessiva costuma limitar a análise e faz com que escolhas sejam tomadas sem método ou comparação com outras realidades. Sem um processo estruturado, decisões importantes acabam sendo feitas com base apenas na experiência interna, o que aumenta o risco de falhas.
Como a consultoria ajuda a corrigir esse tipo de problema?
A atuação da consultoria começa justamente com a ampliação do olhar. A partir de metodologias próprias e da experiência acumulada em diferentes segmentos, é possível identificar pontos que normalmente passam despercebidos na rotina da empresa. Esse diagnóstico mais amplo ajuda a revelar alternativas, ajustar rotas e construir estratégias mais consistentes, seja na organização financeira, seja na revisão de custos, na estrutura de governança ou na definição de caminhos para crescimento sustentável.
Atualmente, quais fatores são decisivos para competitividade e sustentabilidade do negócio?
A competitividade depende de fatores que vão além do desempenho financeiro. Um deles é a forma como a empresa cuida dos recursos, o que envolve tanto a gestão de pessoas quanto dos processos internos. Quando esse equilíbrio não existe, a eficiência cai e os resultados se tornam mais difíceis de sustentar ao longo do tempo.
Outro ponto decisivo é a governança. Regras claras, acordos alinhados, processos bem definidos e uma estrutura organizada de gestão são fundamentais para dar continuidade às decisões e viabilizar mudanças. A tecnologia completa esse conjunto. A atenção a novas ferramentas, incluindo soluções baseadas em inteligência artificial, deixou de ser opcional e vem transformando a forma de competir, ao ampliar a eficiência, qualificar decisões e preparar melhor as empresas para o futuro. Competir hoje exige mais do que números e análises superficiais, exige gestão consciente, governança madura e tecnologia que apoie as operações e decisões.





