
A música missioneira e a tradição gaúcha estiveram novamente em rede nacional neste domingo (12). O trio Hermanos Guedes, formado pelos irmãos Andresito, Karaí e Anahy, de São Luiz Gonzaga, no noroeste do RS, conquistou vaga para a semifinal do programa Em Família com Eliana, exibido pela TV Globo.
Conhecidos pela ligação com raízes gaúchas e a essência da região das Missões, os artistas ganharam projeção nacional ao representar o Rio Grande do Sul na competição musical entre famílias de diferentes regiões do Brasil.
No programa deste domingo, o trio interpretou Potro sem Dono, de Paulo Portela Fagundes e Galopeira, de Mauricio Cardoso Ocampo e Pedro Bento. Os irmãos também contaram com a participação do pai, Jorge Guedes, que voltou a dividir o palco com os filhos em um momento que emocionou o público.
A atração dominical, comandada por Eliana, reúne histórias, culturas e trajetórias familiares marcadas pela música, além de uma disputa no palco que premia os vencedores com um carro zero quilômetro.
Família e futuro
Em entrevista a GZH Passo Fundo, realizada no sábado (11), os artistas falaram sobre herança familiar, desafios da carreira e os sonhos que ainda querem realizar.
GZH: O que a música representa na história de vida de vocês?
Hermanos Guedes: A música é a nossa vocação e propósito. Nosso avô Chico Guedes, nascido em 1912, foi quem nos entregou essa herança. Nosso pai, Jorge Guedes, sempre foi um exemplo de persistência e nos moldou aqui nas Missões com esse pensamento. A música orienta os nossos caminhos e embeleza a nossa vida.
Como nasceu a trajetória dos Hermanos Guedes em São Luiz Gonzaga?
Essa trajetória nasceu num galpão de chão batido, na querência missioneira. Tivemos a graça divina de vir de uma família de músicos, e isso facilitou muito o nosso desenvolvimento técnico. Crescemos em São Luiz Gonzaga, embalados pelas canções folclóricas, no colo da nossa mãe.
As brincadeiras de infância sempre foram voltadas para a música. Na nossa casa recebíamos muitos amigos e aprendíamos diariamente sobre a cultura gaúcha, brasileira e sul-americana.
Em que momento vocês perceberam que a carreira estava ganhando força além da região?
Recordamos de viagens ainda muito crianças para a Argentina e o Paraguai. Já percebíamos ali que estávamos carregando uma grande responsabilidade ao subir em um palco. Também foi importante visitar outros lugares para entender a rica história cultural do gaúcho, que não tem fronteiras e transcende as divisões geográficas.
Como foi levar a identidade missioneira e gaúcha para um programa de alcance nacional?
Foi extraordinário. Estamos tendo um aprendizado de vida que queremos contar para os netos. É uma oportunidade única estar em rede nacional por meio do programa da Eliana, porque se faz necessário mostrar ao mundo a bela história do pago sul brasileiro. Neste ano em que as Missões comemoram 400 anos, é de suma importância mostrar essa memória gauchesca para todo o Brasil.
Quais foram os maiores desafios da carreira até aqui?
Tivemos algumas dificuldades no âmbito profissional, que acreditamos que todos os artistas passam, mas isso se resolve com dedicação. A pior experiência que tivemos nessa caminhada, enquanto família, foi a perda da nossa querida Júlia Ferreira, esposa do Andresito.
Ainda estamos superando essa dor e fazendo de tudo para que os filhos dela, Francisco e Antônio, saibam da grande mulher que ela foi. Além de médica, ela era poetisa, e queremos trazer ao público essa importante obra que ela nos deixou.
Que sonhos vocês ainda querem realizar na música?
Um sonho que nunca morre no nosso coração é a união cultural. Percebemos que é mais importante do que nunca fomentar a integração entre os irmãos brasileiros e demais povos. O gaúcho tem na sua essência essa liberdade pampeana e esse ímpeto de cruzar fronteiras.

