
A Associação Passo-Fundense de Cegos (Apace) realizou neste sábado (8), no Teatro Múcio de Castro, em Passo Fundo, o Show de Talentos Inclusivo, espetáculo que reuniu apresentações musicais de associados e alunos das oficinas de música da entidade.
Aberto à comunidade, o evento destacou a arte como ferramenta de inclusão e valorização das potencialidades de pessoas com deficiência visual.
A iniciativa integra o projeto Música e Tecnologia para Inclusão, desenvolvido pela Apace com financiamento do Pró-Cultura RS, por meio da Política Nacional Aldir Blanc. Desde julho de 2025, os participantes vêm realizando oficinas de violão, flauta e teclado, além de atividades voltadas ao aprendizado musical e ao fortalecimento do acesso à cultura.
Potencialidades
Para o presidente da Apace, Everton de Souza, o espetáculo busca ampliar a compreensão da sociedade sobre as capacidades das pessoas com deficiência visual:
— O objetivo é mostrar a potencialidade da pessoa com deficiência visual e defender que, quando existem oportunidades e condições adequadas, ela pode estar inserida em qualquer espaço da sociedade.
Segundo ele, o trabalho da instituição envolve uma rede formada por profissionais, voluntários, famílias e associados, que atuam no desenvolvimento de habilidades e na promoção da autonomia das pessoas atendidas.
Inclusão pela cultura
O evento marcou também a culminância das oficinas realizadas ao longo do projeto cultural. O tesoureiro da entidade e ex-presidente da Apace Fábio Flores explica que a iniciativa surgiu da necessidade de fortalecer a área cultural dentro da instituição:
— Muitas pessoas já tinham interesse pela música, gostavam de tocar instrumentos, mas não tinham acesso às técnicas necessárias. As oficinas vieram justamente para fomentar essa área e mostrar que a inclusão também passa pela cultura.
Ocupando espaços
No palco, os participantes apresentaram um repertório variado de músicas, resultado dos ensaios realizados durante o período de formação. Entre eles, estava Cassiano Ricardo do Nascimento, associado da entidade há 10 anos e integrante da diretoria, que fez sua primeira apresentação pública no evento.
— A gente se sente importante e realmente incluído. Ensaiamos bastante e agora podemos mostrar para a comunidade tudo o que aprendemos — vibra.
Outro participante foi Theodoro Zillmer da Costa, estudante de Psicologia e associado da Apace desde 2021. Para ele, a experiência de subir ao palco tem um significado que vai além da apresentação musical:
— Estar aqui é mostrar que as pessoas com deficiência também podem ocupar espaços e fazer coisas grandes. É muito gratificante poder compartilhar isso com o público.
Recursos de acessibilidade
Pensando na acessibilidade e na ampliação do alcance do evento, a programação teve recursos voltados a diferentes públicos.
A intérprete e tradutora de Libras Loreni Lucas dos Santos Chagas realizou a acessibilidade linguística para pessoas com deficiência auditiva e o espetáculo também contou com audiodescrição, recurso que auxilia na compreensão de elementos visuais por pessoas com deficiência visual.
A expectativa da entidade é que iniciativas como essa ampliem a presença de pessoas com deficiência em espaços culturais da cidade e incentivem novos projetos voltados à inclusão artística e social.
— Queremos que a sociedade veja primeiro a pessoa, com suas qualidades e capacidades, e não apenas a deficiência — conclui Everton.
