
Além dos tributos em canções apresentadas, a 45ª edição da Coxilha Nativista de Cruz Alta também homenageou o escritor Erico Verissimo com uso da tecnologia. O mais ilustre dos cruzaltenses voltou à vida durante o festival com o uso de inteligência artificial (IA).
O evento que começou na última terça-feira (29) e segue até o sábado (2) homenageia os 120 anos do autor com a temática "Nos campos de Erico, floresce a canção".
Quem prestigia as apresentações dos músicos nativistas pode conferir um vídeo de cerca de cinco minutos que traz Verissimo e alguns dos seus mais conhecidos personagens, como Capitão Rodrigo, Bibiana e Ana Terra, da antologia O Tempo e o Vento.
O projeto é assinado pela Foccus Filmes, empresa da cidade do noroeste gaúcho que misturou as possibilidades da IA com o próprio arquivo de imagens do autor.
A ideia surgiu durante o desenvolvimento de um documentário sobre o tropeirismo no Rio Grande do Sul.
— Na ausência de registros visuais sobre essa atividade, vimos na IA uma possibilidade inovadora de ilustrar os depoimentos e recriar os cenários e a grandiosidade das tropas daquela época. Foi um processo intenso de pesquisa e experimentação até conseguir traduzir visualmente o que estávamos imaginando — lembra o diretor Paulo Keitel.
Nova forma de produção audiovisual
Nos vídeos e imagens produzidas para a 45ª Coxilha Nativista, foram usadas ferramentas como o Chat GPT, Kling.ai e outras plataformas, aliadas aos programas tradicionais de edição de vídeo, permitindo assim uma nova forma de produção audiovisual.
O material também tem como base um vídeo produzido pela produtora para a edição 25 da Coxilha Nativista, há duas décadas.
— Atualizamos esse material histórico com os recursos tecnológicos que temos hoje, especialmente com o auxílio da inteligência artificial, mas sem perder nossa identidade. É um exemplo de como conseguimos unir memória, inovação e continuidade em um mesmo projeto — destaca Keitel.
No material especial para a abertura das noites da Coxilha Nativista, Erico Verissimo fala de sua vontade de contar a história do RS por meio da obra O Tempo e o Vento, e traz ainda reflexões sobre Cruz Alta, sua cidade natal (assista abaixo).
O processo de criação focou nos detalhes e buscou fidelidade com o material original, o que permitiu mais precisão e cuidado na construção das imagens.
— A cada nova etapa, fomos compreendendo melhor o potencial da ferramenta, não apenas como um recurso técnico, mas como uma aliada criativa capaz de dar forma às nossas ideias, narrativas e abrir novas possibilidades para a produção — finaliza o diretor.
Com mais de mil canções inscritas e 30 selecionadas para a competição, a 45ª da Coxilha Nativista acontece no Ginásio Municipal de Cruz Alta. As apresentações gratuitas começam sempre às 19h, e o grande vencedor deverá ser conhecido na madrugada de domingo (3).


