
O Brasil deve encerrar 2025 com mais pessoas aplicando dinheiro. Segundo o levantamento Raio X do Investidor Brasileiro, realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha, a expectativa é de que 39% da população tenha algum montante investido em produtos financeiros até o fim do ano – em 2024, o número ficou em 37%.
– À medida que avançamos em 2025 e traçamos o mapa para 2026, uma conclusão é clara: vivemos um período de crescimento moderado, que exige disciplina, seletividade e boa gestão de risco tanto de pessoas físicas quanto de empresas – explica a gerente de Captação da Sicredi Integração de Estados RS/SC/MG, Geise Werzenska.
Nesta entrevista, a especialista compartilha dicas para quem quer investir ainda em 2025 ou em 2026, fala sobre o cenário econômico atual e explica as principais mudanças que devem impactar os investidores ao longo do ano que vem.
Como você avalia o cenário econômico de 2025 para investidores?
O ano atual consolidou um cenário de atividade mais contida, após a recuperação de 2024. Vemos a inflação em desaceleração – mas ainda acima do centro da meta –, o Banco Central firme na estratégia de juros altos por mais tempo e um ambiente fiscal que continua a exigir vigilância.
A taxa Selic permaneceu elevada para garantir a convergência das expectativas inflacionárias. Isso tem dois efeitos claros para quem investe. O primeiro é a criação de oportunidades muito interessantes em renda fixa e em crédito privado de qualidade. O segundo é que o custo de capital se mantém alto para as empresas, demandando planejamento cuidadoso de caixa.
O desafio fiscal segue no centro do debate. Metas apertadas e necessidade de disciplina afetam diretamente a percepção de risco do país e, consequentemente, a curva de juros. Para o investidor, isso significa que prêmios de risco continuam relevantes e, portanto, boas oportunidades surgem em títulos públicos e privados bem selecionados.
E em relação ao câmbio, às commodities e ao crédito? Como eles têm impactado os investidores em 2025?
O Brasil permanece beneficiado pelo desempenho das commodities e pela resiliência do agronegócio, o que favorece exportadores e empresas com receitas ligadas ao dólar. Para o investidor, isso reforça a importância de incluir ativos com exposição externa ou proteção cambial em momentos oportunos.
Com crédito mais caro, o consumo e o investimento crescem em ritmo mais lento. É um ambiente que premia quem entende seu perfil e escolhe ativos com cuidado.
Ainda dá tempo de aproveitar boas oportunidades de investimento em 2025? Quais são as alternativas mais promissoras nesse momento?
Sim, 2025 ainda oferece ótimas oportunidades para quem deseja investir com estratégia. Para pessoas físicas, recomendo opções como títulos pós-fixados e indexados à inflação; crédito privado selecionado com bom rating e estruturas robustas; fundos multimercado com gestão ativa, que podem capturar pontos de inflexão do ciclo econômico; e fundos e planos de previdência, aproveitando as vantagens fiscais e a eficiência de longo prazo.
Quando o assunto é pessoa jurídica, alternativas de curto prazo, como CDBs e RDCs de liquidez diária, além de fundos DI, são essenciais para uma gestão de caixa eficiente. Já para excedentes financeiros com horizontes maiores, fundos de renda fixa corporativa e instrumentos estruturados podem gerar retorno superior mantendo prudência.
Empresas do agronegócio, por sua vez, conseguem aproveitar soluções como CPRs, operações de proteção de preços e linhas de crédito especializadas combinadas com investimentos do caixa operacional.
Quais são as principais projeções econômicas para 2026?
Olhando à frente, 2026 tem potencial para ser um ano de maior equilíbrio. O cenário base da Sicredi Asset, gestora de recursos do Sicredi, indica crescimento modesto do PIB, porém mais equilibrado; inflação em processo de convergência, mesmo que não linear; e possibilidade de alívio gradual nos juros, caso as condições fiscais e inflacionárias avancem positivamente. Esses fatores podem beneficiar investidores ao criar um ambiente mais favorável para ativos de risco e reduzir o custo de capital da economia.
O que isso significa, na prática, para o investidor?
A renda fixa tende a continuar oferecendo bons retornos, mas com menor pressão inflacionária. Já a renda variável pode se beneficiar caso o ciclo de juros comece a mostrar flexibilização. Para empresas, um ambiente de juros mais baixos pode otimizar margens, facilitar financiamentos e abrir espaço para melhores estratégias de gestão de caixa e investimentos corporativos. Em outras palavras, 2026 tende a ser um ano de transição, com potencial de melhora gradual e mais estabilidade para planejar.
Como a previdência privada pode ajudar quem deseja começar 2026 com uma vida financeira mais segura e organizada?
A previdência privada é um dos instrumentos mais completos para quem busca segurança, organização financeira e visão de longo prazo. Os benefícios para pessoas físicas incluem vantagens fiscais, como a dedução de até 12% da renda bruta anual tributável. Além disso, não há come-cotas, ampliando o efeito dos juros compostos. É um tipo de investimento que oferece uma sucessão mais simples e a possibilidade de montar uma reserva de longo prazo com contribuições mensais adequadas ao momento de vida.
Para pessoas jurídicas, a modalidade é interessante porque empresas podem oferecer previdência empresarial, reforçando atração e retenção de talentos; o aporte para colaboradores pode ser contabilizado como despesa operacional, dependendo do regime tributário; e para negócios familiares, funciona como um instrumento relevante de planejamento patrimonial.
O Sicredi está entre os 10 maiores gestores de previdência privada do Brasil. Quais diferenciais explicam esse crescimento?
O avanço do Sicredi no ranking nacional de previdência privada é resultado de um conjunto de diferenciais consistentes. Entre eles, destaca-se a gestão especializada da Sicredi Asset, consolidada entre as maiores gestoras do país, com processos robustos de análise, controle de risco e políticas conservadoras – características valorizadas especialmente por quem busca a previdência privada.
Outros motivos que contribuem para esse cenário são a relação de proximidade oferecida pelo modelo cooperativo, o portfólio completo e acessível, o atendimento consultivo (tanto para pessoa física como para pessoa jurídica) e a força do Sicredi no agronegócio e nas comunidades locais.
Qual é o primeiro passo para quem quer investir, mas ainda não sabe por onde começar?
No caso de uma pessoa física, é preciso definir objetivos (no curto, médio e longo prazo), avaliar perfil de risco e construir uma reserva de emergência. Recomendo começar por renda fixa e previdência para depois diversificar gradualmente com orientação especializada.
Já para as empresas, é necessário mapear o ciclo financeiro do negócio (entradas, saídas e sazonalidade), separar caixa operacional de caixa excedente e definir políticas internas de liquidez e risco. A partir daí, é possível utilizar soluções automáticas de aplicação para eficiência diária, avaliar oportunidades de previdência empresarial para colaboradores e revisar periodicamente a estratégia junto ao gerente e especialista.
Em ambos os casos, o mais importante é começar com planejamento, contar com orientação profissional e manter a consistência com princípios fundamentais para uma vida financeira equilibrada.





