
Passo Fundo, no norte gaúcho, tem uma representante entre as pesquisadoras de maior destaque da América Latina. A professora da Universidade de Passo Fundo (UPF) Luciane Maria Colla está entre os 3,4 mil cientistas mais influentes do continente e entre os 2,3 mil do Brasil, segundo o ranking AD Scientific Index.
O espaço conquistado pelas mulheres na carreira científica é celebrado nesta quarta-feira (11), Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para promover a igualdade de gênero, aumentar a visibilidade de pesquisadoras e incentivar novas gerações na área.
Apesar dos avanços, o caminho ainda é marcado por disparidades. Mesmo com o aumento da presença feminina na pós-graduação, as pesquisadoras ainda recebem menos do que homens com a mesma formação, aponta uma pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com base em dados dos últimos 15 anos.
É nesse contexto que Luciane construiu sua trajetória. No caso dela, a ciência apareceu ainda na graduação em Engenharia de Alimentos, na década de 1990. Aluna da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), ela foi bolsista de iniciação científica desde o início do curso, já com o sonho de lecionar.
— Eu sempre quis ser professora e trabalhei para alcançar isso. Hoje a gente também forma cientistas para o mercado de trabalho, mas, na época, eu pensava muito em academia — resume.
Desafios na prática
Com atuação na área da Agronomia, Engenharia Civil e Ambiental e Tecnologia em Alimentos, Luciane desenvolveu suas pesquisas em grupos majoritariamente masculinos. Apesar dos desafios estruturais, ela conta que foi motivada pela mãe e pela família, que apoiaram quando necessário.
— Algumas vezes tentaram me dizer onde eu deveria estar, mas não deu muito certo. Hoje tenho uma equipe formada 70% por mulheres, e três são mães. Eu mesma fui mãe durante meus estudos, nunca parei uma etapa da vida para começar outra e isso me torna hábil para identificar percalços que possam acontecer com elas (as pesquisadoras) e evitá-los — afirma.
Para a docente, o olhar atento e de proximidade com a equipe foi primordial para ocupar a posição de destaque internacional na área. O ranking leva em consideração a produtividade total e dos últimos cinco anos dos cientistas, o que implica em dedicação constante.
Por outro lado, as publicações e destaques são o que garantem recursos para seguir com os projetos. Daí a importância de manter um bom índice, mas também equilibrar a saúde mental de quem produz.
— Sou um destaque por ombros de gigantes. Eu carrego uma equipe. O ranking reflete a produção de um grupo, e existe o meu trabalho de tornar esse grupo coeso e publicador, fazer com que façam isso sem perder a saúde mental, mostrando que a motivação vem do amor que temos pela ciência — defende.
Sejam cientistas. Sejam mães. Sejam o que quiserem ser.
LUCIANE MARIA COLLA
Professora e pesquisadora
Para as meninas que sonham em atuar na área, o conselho da professora é que se dediquem para conquistar seus espaços e façam tudo o que tiverem vontade.
— Sigam este sonho, sem acreditar nos rótulos. Se acharem que são incapazes, levante e tente de novo. Busque apoio em quem possa te apoiar. Sejam cientistas. Sejam mães. Sejam o que quiserem ser. Nossa profissão é linda, forma o pensamento científico de toda uma população — completou, orgulhosa.
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