
A doação de sangue entre cães e gatos pode ser decisiva para salvar a vida de um animal em situação de risco. Em Passo Fundo, o Hospital Veterinário da Universidade de Passo Fundo (UPF) realiza transfusões com a ajuda de tutores que disponibilizam pets como doadores voluntários.
De acordo com o médico veterinário Bruno Webber, entre os principais motivos para uma transfusão de sangue estão os quadros de anemia, quando há uma baixa nas células vermelhas do sangue. As causas de anemia são variadas: desde doenças infecciosas e problemas autoimunes até atropelamentos ou acidentes com grande perda de sangue.
— A grande diferença entre a doação de sangue de cães e gatos está no volume de sangue retirado do animal, sendo cerca de 450ml nos cães e 45 a 60ml nos gatos — explica Webber.
Para doar, o animal precisa ser adulto, saudável, vacinado, vermifugado e livre de parasitas como pulgas e carrapatos, que podem transmitir doenças.
A idade ideal vai de um a oito anos e o peso também é determinante: cães devem ter pelo menos 25 quilos, enquanto gatos precisam pesar em torno de cinco quilos ou mais.
A coleta é feita na veia jugular, no pescoço, e pode ou não exigir sedação, dependendo do comportamento do animal. O processo é rápido e pode ser repetido a cada três meses, após nova avaliação clínica. O doador não tem custo para participar, e o valor da transfusão é pago pelo tutor do animal que recebe o sangue.
Outra etapa importante no processo é a verificação da compatibilidade sanguínea entre doador e receptor. Assim como nos humanos, cães e gatos possuem diferentes tipos de sangue. Em cães, há vários grupos, classificados como DEA, enquanto os gatos têm tipos mais semelhantes aos humanos, como A, B e AB.
Banco de sangue animal

Apesar da importância das transfusões, Passo Fundo ainda não conta com um banco de sangue animal. Webber explica que, atualmente, há laboratórios que coletam e comercializam bolsas de sangue na cidade, mas isso não é o mesmo que manter um banco.
A diferença, segundo ele, está no processo: nos bancos de sangue, além da coleta, é feita a separação dos hemocomponentes, como hemácias, plaquetas e plasma, que podem ser utilizados de acordo com a necessidade de cada paciente. Em casos de anemia, por exemplo, utiliza-se o sangue total, enquanto em outras situações específicas pode ser preciso apenas um dos componentes.
— Em Passo Fundo, hoje, não temos essa opção (dos hemocomponentes). A maioria das transfusões acontecem por causa de quadros de anemia e é utilizado o sangue total. Aquele mesmo sangue que foi coletado do doador, vai direto para o paciente sem nenhum tipo de separação — explica.
No Rio Grande do Sul, apenas três bancos de sangue veterinários estão cadastrados no Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), localizados em Gravataí, Caxias do Sul e Capão da Canoa. Para o presidente do Conselho, Mauro Moreira, o número é baixo diante da demanda crescente.
— É um custo alto para abrir um banco de sangue. Falamos em mais de R$ 1 milhão. Precisa ter toda a legislação, que é pesada, para colocar tudo dentro das normas técnicas. São poucos atualmente. É uma grande lacuna. Um banco de sangue público poderia ajudar — afirma.
"Valor" da doação
A veterinária Tatiana Pavan é tutora de dois cães doadores de sangue, o Valete e o Malbec. Há três anos, eles ajudam a salvar vidas em Passo Fundo. O Valete, um golden retriever de sete anos, segue ativo nas doações. Já o Malbec, um pitbull de oito anos, está “aposentado”, por ter a idade máxima recomendada para os doadores.
— Agora ele está só na vida boa. Logo o Valete também deve se aposentar — brinca.
A rotina de doação começou quase por acaso:
— Eu dava aula na faculdade de Medicina Veterinária e levava meus cães para as aulas práticas de coleta de sangue. Eles sempre foram muito tranquilos — explica.
A importância desse gesto é conhecida também por quem esteve do outro lado. A psicóloga Betania Casagrande, é tutora do Rex, um vira-lata de quatro anos que precisou de sangue após um quadro de anemia.
— A neurologista dele pediu sangue com urgência. Fomos até o Hospital Veterinário da UPF e, por sorte, havia uma bolsa compatível. Aquela doação salvou a vida do Rex naquele momento — conta Betania.
O cão teve melhora temporária após a transfusão, mas acabou não resistindo a outras complicações.
— O Rex foi um guerreiro, lutou até o último momento. Era um cachorro doce, querido. Muitos tutores não sabem que podem ajudar outros cães com a doação de sangue — completa.
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