Uma peregrinação internacional, em celebração aos 400 anos das Missões Jesuíticas no Estado, alcançou o Rio Grande do Sul no sábado (8). Reunindo fiéis, a caminhada de 290 quilômetros teve início no Paraguai em 26 de outubro, passou pela Argentina e deve ser concluída em Caibaté, no próximo domingo (16).
Os peregrinos seguem a Trilha dos Santos Mártires, criada há 25 anos. O caminho homenageia os padres jesuítas Roque González, Afonso Rodrigues e João de Castilhos, mortos em 1628 por indígenas contrários à catequização.
— A ideia surgiu como forma de homenagear os santos missioneiros e preservar a memória histórica — disse Sérgio Venturini, um dos organizadores.
A caminhada ocorre anualmente em novembro, entre São Nicolau e o Santuário de Caaró, em Caibaté, na Região das Missões. Mas neste ano o trajeto foi ampliado para uma jornada por três países e 30 povos missioneiros: teve início em San Ignacio Guazú, no Paraguai, passou pela Argentina e terminará no Brasil.
Entre os 20 participantes do trajeto internacional esteve Cleonilton de Almeida, de Porto Alegre, que realiza a peregrinação pela quarta vez.
— É uma experiência de fé e história que me toca profundamente — afirmou.
E embora a atividade seja ligada à Igreja Católica, a peregrinação também atrai pessoas de outras crenças. O funcionário público Lucas Schneider, de Lajeado, é evangélico luterano e, mesmo sem reverenciar santos, também participa pela quarta vez.
— O trabalho que os jesuítas fizeram aqui, que o Padre Roque fez sem levantar armas, somente com a palavra, com aconselhamento, trabalhando os indígenas e respeitando a sua essência e ao mesmo tempo permitindo que eles vivessem a sua espiritualidade é inspiração total pra mim, por que as reduções visavam o desenvolvimento espiritual e humano — afirmou.
Para entrar no Brasil, os peregrinos atravessaram o Rio Uruguai de barco, sendo recepcionados por familiares e amigos no último fim de semana. A chegada ocorreu no local onde, em maio de 1626, Roque González fundou a redução de São Nicolau, o primeiro povoado missioneiro em solo gaúcho.
E foi deste ponto que outros peregrinos se juntaram à caminhada no solo brasileiro, com destino ao Santuário de Caaró. É o caso de Glenio Edvino Schein, aposentado que veio de Curitiba (PR) para participar:
— Sempre tive vontade de participar. Este ano consegui realizar esse desejo.
Durante o percurso, os participantes carregam um relicário contendo um fragmento do coração de Roque González. Essa relíquia é levada pelas paróquias por onde a trilha passa, até seu destino final em Caibaté.
Em solo gaúcho, os peregrinos vão caminhar 180 quilômetros pela Região das Missões.
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