
Conquistar seu espaço através da arte, levando criatividade e transformando a energia dos espaços: o que sempre foi um passatempo, hoje é o principal trabalho da artista e muralista passo-fundense Beatriz Ferrão, 23 anos.
Conhecida nas redes sociais como “Traços da Bea”, ela conquistou um público engajado e se consolidou na área das artes, com trabalhos enviados de Passo Fundo para todo o mundo.
A artista trabalha com as pinturas de parede e quadros sob medida. Tudo leva seu traço único, com formas orgânicas e combinação de cores. O talento agrada os mais variados públicos, sejam empresas ou famílias, decorando salas comerciais, residências e até quartinhos de criança.
Em seis anos de carreira, Bea acumula mais de 400 paredes pintadas em Passo Fundo e outras cidades da região. Além disso, mais de mil quadros já foram enviados para todo o Brasil, Austrália, Estados Unidos e Itália.
— Eu vejo na arte uma forma de me expressar de forma leve, e também expressar o que o cliente quer. Encontrei nas cores uma forma de contar histórias, de forma criativa, original e personalizada, levando afetividade. A gente precisa se conectar com os espaços onde moramos ou trabalhamos, e a arte ajuda nisso — resume Bea.
“Aquela que traz felicidade”
Para quem acredita em destino, o da Beatriz foi traçado desde a escolha do nome: do latim beatus com significado de “feliz” ou “abençoada”, remete “àquela que traz felicidade ou faz os outros felizes”. E a Bea, de fato, seguiu o batismo à risca. Incentivada pelos pais, ela já brincava com os lápis de colorir desde o primeiro aninho de idade.
A virada de chave veio aos 16 anos, depois de pintar a primeira parede em casa, explorando os letterings — termo usado para arte de desenhar letras. Da brincadeira surgiram duas outras pinturas, na casa de uma vizinha e na cervejaria de um amigo da família, que acabaram inspirando a criação do perfil no Instagram.
No ano seguinte, ao concluir o ensino médio enfrentar o primeiro ano de pandemia de covid-19, a decisão foi de apostar de vez na arte:
— Foi uma decisão difícil, mas tive apoio dos meus pais. Eles entenderam que eu estava criando uma paixão por isso, me divertindo, e estava dando certo, tinha demanda. Então eu segui o exemplo dos dois, que sempre foram muito trabalhadores. Meu pai foi comigo abrir meu MEI e assinei meu primeiro trabalho para uma marca grande. Dali em diante comecei me encontrar na profissão.
O processo criativo

Até o projeto ser pintado na parede, tudo é combinado com o cliente. É com base nas informações de metragem, cômodo e motivo da pintura, que a Beatriz se inspira para criar. Os desenhos vão desde formas mais abstratas, até escritas, bichinhos e símbolos desejados.
— Tenho muita facilidade para criar os projetos, tudo vai fluindo bem naturalmente. Eu tenho meus rituais, pego uma bebidinha quente, um mate, um chá ou um café, ligo um vídeo ou uma série, e fico ouvindo o barulho e vou desenhando. Escolho as cores e os traços conforme meu sentimento do momento. Vou olhando a tela e decidindo — resume Bea.
Depois de pronto, com aprovação do cliente, a data é agendada e tudo é passado para a parede. O mesmo processo acontece com os quadros. O resultado transforma ambientes e conecta as pessoas que moram ou trabalham nos espaços.
— Mexe com as pessoas porque a arte tem um significado para quem me pediu para pintar, é uma arte com amor. O pós-arte é de como trouxe personalidade, de como antes estava “vazio”, e a arte preencheu.





