Comparações sobre quem fomos em 2016 e quem somos agora, 10 anos depois, dominaram a internet nas últimas semanas. A trend veio com um toque de nostalgia assustador — pelo menos para mim. Em 2016, estava concluindo a faculdade, ainda era estagiária e não fazia ideia do que faria dali em diante.
Dez anos se passaram e, de fato, muita coisa mudou — comigo, na internet e, especialmente, em Passo Fundo. Me mudei para cá em 2013 e vi a cidade se transformar muito nos últimos anos — bem mais que só os "looks" que usávamos naquela época.
É possível ver o crescimento a olho nu: surgiram novos bairros e há muito mais prédios na comparação com o primeiro skyline que vi ao chegar, por exemplo.
Para confirmar o crescimento urbano, recorri ao Google Earth, que mantém os registros das localidades de tempos em tempos. Ali, sim, é possível ver — sem os filtros de uma jovem recém-chegada — que Passo Fundo ganhou envergadura nesses últimos 10 anos (veja acima).
De fato, a população aumentou de 2016 para cá: saiu de cerca de 197,8 mil habitantes para 214,8 mil, no ano passado, conforme o IBGE. O salto foi de 8,6% — mais que o acréscimo registrado entre 2006 e 2016, quando havia 188,3 mil moradores. Lembro, inclusive, que foi um marco quando Passo Fundo passou dos 200 mil moradores, por volta de 2018.
O que mudou e o que segue igual

PIB
Enquanto a população crescia, o fluxo de bens e renda, calculado pelo Produto Interno Bruto (PIB), também inflou. Dado divulgado no ano passado mostra que a cidade gerou R$ 14,06 bilhões em 2023 — quase 70% a mais que o PIB de 2016, de R$ 8,4 bilhões.
Foi, inclusive, há 10 anos que Passo Fundo saiu de 13ª para a 6ª economia do RS — outro motivo de comemoração à época. A cidade segue na posição desde então, com seu setor-forte de serviços, seguido pelo comércio, agropecuária e construção civil. Foi um avanço importante, especialmente se olharmos para 20 anos atrás, quando o PIB era de R$ 2,6 bilhões.
Muitos estabelecimentos fecharam e muitos abriram desde 2016. Naquele ano ainda não existiam o Passo Fundo Shopping e a Havan, que atraem muita gente para o comércio da cidade. Também não tínhamos a BYD e os diversos complexos esportivos onde se popularizaram o beach tennis e o padel, por exemplo.
Trabalho
Em 2026 também vemos um salto de empresários individuais — uma tendência que, sabemos, está em todo o país. No ano passado, a Receita Federal contou mais de 6,9 mil CNPJs ativos na cidade, sendo a maioria de microempreendedores individuais (MEI). Em 2016, quando ainda não havíamos passado pela Reforma Trabalhista, que flexibilizou algumas regras de contratação, 891 pessoas atuavam nesses moldes em Passo Fundo.
No mais, algumas coisas seguem parecidas, apesar da pandemia e das crises políticas/econômicas da última década. A maior parte dos trabalhadores formais, por exemplo, atua no comércio varejista — eram 31,1% do total de empregados em 2016 e 27,1% em 2024. As funções mais comuns seguem sendo as de vendedor, repositor e operador de caixa.
Exportações
Não é exagero dizer que a cidade pavimentou seu caminho como exportadora nos últimos 10 anos. Terminamos 2025 com US$ 1,7 bilhão vendidos ao exterior, sendo a maioria em soja (60%) e trigo (30%), e somos o 3º município gaúcho que mais exportou no ano passado. É um passo atrás em relação a 2024, quando chegamos ao 2º lugar, só atrás de Rio Grande, mas não deixa de ser um feito importante.
Em 2016, o volume de produtos exportados era bem inferior: naquele ano, exportamos 2,3 milhões de toneladas — ou quase metade do ano passado, de 4,6 milhões. Há 20 anos, a cidade vendia menos de 40 mil toneladas para o exterior.
Daqui para frente

Como todos nós, as cidades são vivas e em eterna transformação, então certamente teremos uma Passo Fundo diferente em 2036. É de praxe: as nossas histórias se confundem ao lugar onde vivemos, e vice-versa. Enquanto eu passei a fazer exercícios físicos (algo inimaginável em 2016) e estou prestes a dar à luz ao meu primeiro filho, Mathias, em 2026, a cidade vive movimentos novos e únicos.
Algumas coisas que acontecem hoje já indicam isso: vimos crescer o movimento de inovação, agora com um polo consolidado; há empreendimentos grandes a caminho, como a nova usina de etanol da Be8, em construção às margens da BR-285; e o aeroporto acaba de passar para a iniciativa privada, o que alavanca a expectativa de incrementar estrutura, voos e passageiros.
Das decisões sobre onde (e como) viver aos rumos da geopolítica internacional, muitos fatores têm o poder de interferir em nossas vidas. O fato é que, em termos gerais, Passo Fundo cresceu nos últimos 10 anos e há otimismo para crer que seguiremos crescendo até 2036 (e além). Resta saber quando e como — mas isso, se tudo der certo, responderemos na próxima trend.
Para comentários, dúvidas e sugestões de pauta entre em contato através do e-mail julia.possa@gruporbs.com.br.






