
Uma ideia, capital zero e alguns sócios investidores: assim nasceu a Metasa, empresa pioneira na fabricação e montagem de estruturas metálicas, em dezembro de 1975. Cinquenta anos depois, a empresa de Marau construiu estruturas petroleiras, de aeroportos, shoppings centers e a maior caldeira do mundo, instalada recentemente no Mato Grosso do Sul.
O empreendimento, que começou com esquadrias de aço de portas e janelas e 16 funcionários, hoje tem 1,2 mil trabalhadores nas duas plantas fabris, na unidade-sede e em Charqueadas, na Região Metropolitana. Só em Marau, tem cerca de 42 mil metros quadrados de área construída e 850 colaboradores.
Além do comprovado sucesso, chamam a atenção as formas encontradas pela empresa para driblar as crises econômicas enfrentadas pelo Brasil nas últimas cinco décadas. Um exemplo foi o Plano Collor, classificado pelo fundador da empresa, Antonio Roso, como o "pior momento até agora".
— Me deu tanta preocupação, eu não conseguia tirar dinheiro do banco, não conseguia fazer nada. Bom, eu cheguei a infartar, né? — contou o empresário, que começou o negócio aos 27 anos e hoje atua no Conselho de Administração.
Fazer do limão uma limonada é o clichê que resume bem a história da empresa, que soube se adaptar e recomeçar tanto nas crises quanto nas oportunidades. Na década de 1970, quando as estruturas para armazenar grãos ainda eram escassas, a Metasa começou a fabricar silos e armazéns. A experiência possibilitou a entrada no mercado pesado, com a montagem do hangar da Varig em Porto Alegre, por exemplo.
Na década de 1990, quando a crise prejudicou o setor agrícola brasileiro, a empresa adaptou a produção e passou a priorizar as estruturas metálicas, em especial para a construção de shoppings centers. A atuação agrícola terminou em 2005, o que abriu espaço para a entrada nos mercados de papel, celulose e offshore, com a construção de estruturas petrolíferas e pontes ferroviárias.
Mais recentemente, a empresa também foi responsável pela estrutura metálica do novo mirante e café do Parque do Caracol, em Canela.
E a última grande entrega foi a caldeira de recuperação de celulose do projeto Arauco Sucuriú, na cidade de Inocência (MS). A caldeira tem cerca de 11 mil toneladas de estruturas metálicas fabricadas pela Metasa e fará parte da maior fábrica de celulose do mundo.
Mercado exterior
As exportações de estruturas metálicas entraram com mais ênfase no radar da empresa em 2020. Hoje, cerca de 35% da receita da companhia vem das vendas ao exterior, com Chile, Argentina e Uruguai entre os principais destinos. O valor total da receita não foi informado à coluna.
A expectativa é que as vendas para fora aumentem à medida em que surgirem mais projetos, disse a CEO da companhia, Cristhine Roso. Essa é uma das metas da empresa para os próximos cinco anos, assim como focar na robotização e automatização dos processos.
— Hoje temos cerca de 50 mil metros quadrados de área fabril, o que é suficiente para crescimento em termos de volumes. Por isso, desejamos aumentar nossa internacionalização e entrar em segmentos de maior valor agregado — disse a CEO.
— Vejo que o nosso maior patrimônio é a mão de obra qualificada. É desafiador, porque não temos um produto seriado: nós somos alfaiates, cada obra é uma obra, não existe estrutura gêmea. E é assim que vamos seguir, dando a expertise e dimensão que cada projeto merece — completou o fundador.
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