
Fica em Guarani das Missões, município de 7 mil habitantes na Região das Missões, uma das empresas pioneiras na fabricação de globos da morte — sim, as estruturas de aço onde motos giram em looping e são sucesso nos circos.
A Marks Indústria Metalúrgica, fundada por pai e filho, tem quatro funcionários e vende globos da morte para circos e parques de diversões de todo o país — alguns já foram até para o exterior, em especial a Europa. Desde a década de 1980, a fábrica produziu mais de 200 dessas estruturas.
A história começa quando um circo que se apresentava em Guarani das Missões encomendou um globo da morte. O fundador, Milton Marks, não sabia como fazer, mas decidiu tentar e deu certo: nascia ali a primeira estrutura em aço que passaria a ser encomendada mais tarde por muitos outros empresários circenses.
Hoje a empresa não trabalha apenas com globos da morte — na verdade, essa é a menor demanda. Mesmo assim, todos os anos a fábrica vende de oito a 10 estruturas para circos, que saem por, no mínimo, R$ 80 mil. Quanto mais robusta e maior, mais alto o preço.

Ainda que a busca por esses produtos seja sazonal, o site da empresa tem uma aba reservada para os "equipamentos de circo", junto das lareiras e equipamentos para plantio, o forte na região cuja economia é puxada pela soja.
— A demanda (por globos da morte) é bem sazonal, mas nesse ano surpreendeu: teve até fila de espera — disse João Carlos Marks, que comanda a empresa ao lado do pai.
Concorrente na mesma cidade
Além de Marks, outra empresa de Guarani das Missões também apostou na fabricação de globos da morte. A Metalseki, liderada pelo engenheiro mecânico Lídio Iuhniseki, começou a fabricação na década de 1990 — segundo ele, depois que ex-funcionários da primeira ensinaram a técnica.
Tem demanda no mercado: em quase 30 anos, a empresa construiu 129 globos da morte — com três a serem entregues até janeiro para circos e parques do Maranhão, Minas Gerais e São Paulo.
— Quando estamos construindo um globo da morte, nos dedicamos só a isso. Além do mercado interno, também vendemos para fora do país, em especial na Europa e Ásia — disse Iuhniseki, que também fabrica peças para veículos.
Feito com aço, o globo da morte pode durar até 20 anos se tiver boa manutenção. Nas duas empresas, o tempo de fabricação leva de 20 a 40 dias, dependendo do modelo.
Ao que tudo indica, essas são as únicas fabricantes de globos da morte do Brasil — a coluna não identificou outras empresas especializadas nesse segmento no país.
— No começo, as vendas eram só por indicação, um circo contava para o outro, e assim por diante. Agora, com a internet, ficou tudo mais fácil. Tanto é que começamos com uma estrutura só e hoje temos globos da morte em cinco tamanhos — afirmou Marks.
Para comentários, dúvidas e sugestões de pauta entre em contato através do e-mail julia.possa@gruporbs.com.br.



