
A Aurora Coop reabriu o seu frigorífico de frangos em Tapejara, no norte gaúcho, nesta terça-feira (18), depois de dois anos de obras para reforma e ampliação. Ao todo, o investimento foi de R$ 210 milhões, com capacidade para 520 empregos diretos na fase inicial.
A obra começou em agosto de 2023 e ampliou a área construída do frigorífico de 13.231 para 18.565 metros quadrados. Pouco mais de 70% da estrutura que já existia passou por reforma. "É praticamente uma nova indústria", disse o presidente Neivor Canton.
Com a mudança, a fábrica aumenta a capacidade de produção em 80%, passando para 10 mil aves/hora e 76 mil aves/dia. Dessas, 85% serão de frango griller (ou o "galeto" do mercado interno), alimento de alta demanda no Oriente Médio e Norte da África.
A estrutura serve para uma nova fase da unidade em Tapejara, que passa a vender também para o exterior, em especial com cortes Halal (forma de abater animais com base nas leis islâmicas). O investimento vem em boa hora: a Aurora perdeu espaço nos Estados Unidos depois do tarifaço.
— No dia em que (Donald) Trump mostrou aquela tabela no jardim da Casa Branca, foi o último embarque. E os produtos acabaram voltando para casa, nem chegaram ao destino — disse Canton durante evento realizado em Tapejara no fim de agosto.
Mercado externo
Na antiga estrutura, a unidade de Tapejara só produzia sob a fiscalização SISBI, voltada ao mercado interno. Ao passar para o Serviço de Inspeção Federal (SIF), a fábrica de Tapejara pode obter habilitações a outros mercados externos.
A busca por espaço fora do Brasil tem a ver com uma perspectiva de vendas. Segundo Canton, a previsão é que o consumo de aves chegue a 19 milhões de toneladas em 2034 — um aumento em relação às 10 milhões de toneladas atuais. O número é puxado majoritariamente por outros países na busca por alimentos.
Dessa forma, o faturamento da fábrica de Tapejara deve subir para R$ 238 milhões por ano — um incremento de 1% no faturamento bruto global da Aurora Coop. A empresa é o terceiro maior grupo agroindustrial do setor da proteína animal do Brasil.

Quase 1 mil empregos diretos
Inicialmente, a fábrica de Tapejara operará em um único turno de abate, com previsão de 520 empregos diretos e 1.560 indiretos. No momento, há 150 vagas em aberto, em especial no setor industrial.
Conforme avança a produção, a expectativa é ampliar o quadro para até 980 colaboradores a partir de 2027, quando abrir o segundo turno de abate.
Toda a matéria-prima (frango industrial de corte) virá de produtores rurais integrados ao sistema Aurora Coop de Tapejara e região. Pelo menos 237 avicultores fazem parte dessa cadeia.
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