
O preço cobrado pelo metro quadrado dos imóveis de Passo Fundo — que fica na média de R$ 10 mil, um dos mais altos do RS — não vem por acaso. O Sinduscon, entidade que representa a construção civil na cidade, ressalta que isso tem a ver com uma série de questões, incluindo o custo construtivo e a necessidade frequente de importar mão de obra qualificada.
A explicação sobre o valor dos imóveis de Passo Fundo vem na esteira de coluna publicada em 4 de setembro, que trouxe pesquisa da Sinduscon sobre imóveis à venda em 36 incorporadoras da cidade. O levantamento colocou imóveis de Passo Fundo no mesmo patamar de alguns bairros de Porto Alegre e de regiões afastadas da orla de Balneário Camboriú, cidade que é conhecida como a "Dubai brasileira".
Segundo o presidente local do Sinduscon, Cristiano Basso, um dos motivos para Passo Fundo chegar neste patamar é o fato de que as construtoras da cidade precisam importar trabalhadores para suas obras, o que aumenta os custos da produção. Um metro de laje plana, por exemplo, chega a custar R$ 300 às construtoras de trazem profissionais de fora para atuar no município. A média do mercado para o serviço é de R$ 230.
Outro motivo, segundo ele, é a valorização dos terrenos (tornando-os mais caros) e o fato de que estruturas mais robustas e projetos arquitetônicos com fachadas mais proeminentes, como aquelas com curvas ou espelhadas, também demandam mais dinheiro, impulsionando os custos de construção.
— Aqui não construímos só (imóveis) quadrados, mas investimos em fachadas que não perdem em nada para empreendimentos de grandes cidades do Brasil. As tecnologias que entraram na construção, como revestimentos diferentes, vidros duplos e esquadrias importadas, também estão mais comuns. Tudo isso custa — argumentou.
Quem investe em Passo Fundo
Na pesquisa, o Sinduscon verificou que a maioria dos compradores do mercado imobiliário não mora aqui, mas na região, e busca a cidade para, de fato, investir nos empreendimentos. Dos imóveis para estudantes aos comprados para serem transformados em Airbnb, o setor entende que o cenário mudou nos últimos anos:
— O mercado imobiliário de Passo Fundo não sobrevive só com compradores de Passo Fundo. Nós sempre fomos uma cidade que vendia muitos imóveis para estudantes. Aos poucos, isso foi mudando: hoje, muitos jovens que vêm para cá para estudar acabam ficando na cidade no fim de semana e os pais é que vêm visitar. Por isso a demanda por apartamentos maiores, mais robustos. Passo Fundo é a capital, a "praia", da região justamente por aqui tem de tudo. Esse movimento também é crucial para valorizar os nossos imóveis — disse Basso.
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