
Com o edital publicado na terça-feira (24) e leilão agendado para setembro, o governo do Rio Grande do Sul espera que a empresa vencedora assuma os aeroportos de Passo Fundo e Santo Ângelo já no próximo ano. Até lá, a administração dos terminais segue com a Infraero.
Quando isso acontecer, os dois terminais serão operados em concessão patrocinada — ou seja, uma parceria público-privada (PPP) em que a empresa privada assume a responsabilidade de manter o serviço e, em troca, é remunerada tanto pelos usuários quanto pelo governo. Veja os detalhes do edital nesta reportagem.
Além de manter o serviço, a empresa fica responsável por implementar melhorias na estrutura dos dois terminais. Ao todo, o governo do RS prevê R$ 102 milhões em investimentos nos dois terminais, sendo R$ 35,9 milhões ao Aeroporto de Passo Fundo.
Segundo o governo gaúcho, a concessão em bloco é necessária porque, tanto o terminal de Passo Fundo quando o de Santo Ângelo, de forma isolada, são financeiramente inviáveis. Só Passo Fundo, por exemplo, tem estimativa de Valor Presente Líquido (VPL) negativo de - R$ 20,6 milhões.
As mudanças a seguir foram elencadas por um grupo independente de estudos que atuou através da Secretaria da Reconstrução Gaúcha, em documentos aos quais a coluna teve acesso. As melhorias em cada um dos aeroportos devem ser realizadas pela concessionária nos próximos 30 anos.
Quais as mudanças previstas para o Aeroporto de Passo Fundo

Terminal de passageiros
O anteprojeto prevê a reforma e ampliação do terminal que já existe e ampliar, em especial, a sala de embarque. A ideia é que o prédio atual chegue a 2,1 mil metros quadrados até o fim da concessão, em 2055. Hoje são 802m².
Novo pátio de aeronaves
O novo pátio de aeronaves deve ter cinco posições comerciais (hoje são duas) e substituirá o pátio atual, que será destinado à aviação geral e uma posição comercial para emergências.
Nova taxiway
A nova concessionária deve construir uma nova rota usada pelas aeronaves no solo para conectar a pista de pouso e decolagem ao novo pátio de aeronaves.
Reforma da pista de pouso e decolagem
Inclui o deslocamento das cabeceiras e implantação de Áreas de Segurança de Fim de Pista. Além disso, serão instalados Indicadores de Percurso de Aproximação de Precisão (PAPIs) em ambas as cabeceiras, um recurso importante, pois passa a permitir a operação de aeronaves turbo-jato.
Novo sistema de drenagem
Inclui a implementação de um novo sistema de drenagem, melhorias nos auxílios à navegação aeronáutica e na sinalização horizontal, construção de uma nova central de utilidades e um novo parque de abastecimento de aeronaves.
Ajustes na sinalização
Instalação de novas torres de iluminação no pátio de aeronaves e no estacionamento.
Nova cerca
Ajuste para corrigir locais em desconformidade com a cerca patrimonial. A previsão é que essa etapa seja concluída antes do início da concessão.
Ampliação do estacionamento
A ideia é ampliar o estacionamento do terminal ao longo das fases de concessão. Até 2055, a ideia é que a capacidade cresça para 341 vagas (hoje são 252). Não há previsão de cobrir o espaço.
Novas edificações
A nova concessionária deve construir um prédio para manutenção e outro para a administração do aeroporto.
Infraestrutura básica
O projeto também prevê a instalação de novos cabos de baixa tensão, ampliação do reservatório de água, estação de tratamento de esgoto e cloaca para receber os resíduos das aeronaves. Hoje o aeroporto possui fossas sépticas, que serão desativadas. Também há recomendação de melhorias na atual central de armazenamento temporário de resíduos.
Para comentários, dúvidas e sugestões de pauta entre em contato através do e-mail julia.possa@gruporbs.com.br.


