
Dar destino adequado aos resíduos gerados pela suinocultura é um dos principais desafios enfrentados por produtores rurais do Alto Uruguai. Em meio a essa necessidade, a fertirrigação tem ganhado espaço como alternativa para conciliar manejo ambiental e produção agrícola.
A técnica consiste na aplicação de dejetos suínos diluídos em água sobre áreas de cultivo e pastagens por meio de sistemas compostos por motobombas, tubulações e aspersores. Além de reduzir o volume armazenado nas esterqueiras, o método contribui para aumentar a disponibilidade de nutrientes no solo.
Em Aratiba, terceiro maior produtor de suínos do Rio Grande do Sul, 72 propriedades já utilizam o sistema. Juntas, elas somam cerca de 540 hectares atendidos pela fertirrigação.
A busca por alternativas foi impulsionada pela estiagem enfrentada nos últimos anos e pelas dificuldades relacionadas ao armazenamento e à destinação dos resíduos produzidos nas granjas.
Sistema ajuda a resolver problema histórico

Na Linha Lajeado Paca, interior de Aratiba, no norte do Estado, o produtor Thagor César Basso encontrou na fertirrigação uma solução para uma demanda antiga da propriedade.
A granja possui capacidade para alojar até 4 mil animais e dispõe de esterqueiras capazes de armazenar até 4 milhões de metros cúbicos de dejetos.
Grande parte desse material passou a ser utilizada em uma área de pastagem de 13 hectares, contribuindo para o desenvolvimento das plantas e reduzindo a necessidade de outras formas de adubação.
— A fertirrigação solucionou um problema da suinocultura que eu não sabia onde colocar esses dejetos e me trouxe um ganho, porque consigo criar gado e agregar valor à propriedade — afirma o produtor.
Durante o inverno, a propriedade mantém um rebanho de aproximadamente 50 cabeças de gado. Como o sistema trabalha com piquetes e pastejo rotacionado, a aplicação dos dejetos ocorre nos períodos em que determinadas áreas ficam sem utilização pelos animais.
Além de dar destino aos resíduos, a prática auxilia na recuperação e manutenção da fertilidade do solo.
Apesar dos benefícios, o uso inadequado pode provocar impactos negativos. Segundo o extensionista rural da Emater, Gilmar Luís Schardong, a aplicação precisa ser realizada de forma equilibrada e planejada.
— O dejeto é uma responsabilidade do produtor. Se houver excesso de aplicação em uma mesma área ou utilização de material pouco fermentado, podem ocorrer problemas como acidificação e degradação do solo — explica.
Produtores recebem incentivo para implantação

A adoção do sistema também conta com apoio do poder público. Segundo a prefeitura de Aratiba, o custo para instalação de um modelo convencional de fertirrigação varia entre R$ 8 mil e R$ 15 mil por hectare.
Parte desse investimento é subsidiada por programas de incentivo. Município e Estado cobrem juntos 30% do valor do projeto.
Conforme o vice-prefeito Joarez Antônio Miechuanski, após a conclusão da implantação e a emissão de laudos técnicos pela Emater ou pela Secretaria Municipal de Agricultura, o produtor recebe os recursos em parcela única.
Para Basso, a principal mudança foi a redução da pressão sobre os sistemas de armazenamento da propriedade. Antes da implantação, era comum recorrer ao apoio da prefeitura para transportar os resíduos para outras áreas.
— Antigamente eu precisava solicitar ajuda para levar esses dejetos para outras propriedades porque as esterqueiras estavam sempre próximas do limite. Hoje isso não acontece mais. Com a fertirrigação, elas permanecem com capacidade disponível — relata.
