
O plantio de 200 mudas de araucária marca o início do projeto Resgate do Pinheiro-Brasileiro no norte gaúcho. A iniciativa prevê ampliação para outros sete municípios da região e busca retomar a presença no território da região.
A ação é desenvolvida pela Universidade de Passo Fundo (UPF), em parceria com a empresa Eletrocar e com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, com início na cidade de Coqueiros dos Sul. As mudas utilizadas no reflorestamento são produzidas no viveiro da universidade.
O projeto tem como foco recuperar áreas e ampliar a presença da espécie, que já teve destaque econômico no Sul do país e mantém relação com a cultura, a alimentação e o equilíbrio ambiental.
Estudantes participam da iniciativa
Além do plantio, o projeto inclui atividades com estudantes de escolas dos ensinos Fundamental e Médio da região. A proposta envolve o contato direto com o cultivo e o acompanhamento do desenvolvimento das mudas.
A aluna Júlia Stéfany Ross de Ávila participou da ação e relaciona o plantio ao vínculo com a região:
— É uma felicidade participar e saber que isso pode fazer diferença.
Reflorestamento exige condições específicas

De acordo com o professor da UPF, Jaime Martinez, o desenvolvimento das mudas depende de fatores ambientais. Entre eles está a presença de outras araucárias no entorno, condição que favorece a formação de interações no solo.
— A associação com fungos permite melhor absorção de nutrientes pela planta — explica Martinez.
A escolha das áreas também interfere no resultado, já que o crescimento das araucárias ocorre em longo prazo: a colheita acontece em cerca de 70 anos.
Previsão de crescimento
Para este ano, a estimativa é de colheita de 100 toneladas de pinhão no Estado, volume 11% superior ao registrado no ano anterior, segundo dados da Emater.
O aumento está ligado às condições do ciclo e reforça a importância da espécie para o equilíbrio ambiental e para a economia regional.
A araucária integra a cadeia alimentar de diferentes espécies. Segundo Jaime, o pinhão é fonte de alimentação para dezenas de animais.
— Mais de 70 espécies dependem desse recurso para sobreviver, como o papagaio-charão — diz.
O papagaio-charão, espécie ligada às florestas de araucária, apresentou aumento populacional nas últimas décadas após medidas de proteção. A ave depende do pinhão como principal alimento.
A iniciativa segue com planejamento voltado à expansão regional. A proposta inclui novas áreas de plantio e continuidade das ações ao longo dos próximos anos.




