A primeira cultivar de morango desenvolvida no Rio Grande do Sul foi apresentada na Expodireto, em Não-Me-Toque. A BRS Fênix é resultado de oito anos de melhoramento genético conduzido pela Embrapa Clima Temperado, de Pelotas.
Segundo a analista da Embrapa Andrea Noronha, a cultivar nasce da necessidade de diminuir a dependência de material importado e de reduzir riscos sanitários e logísticos. Ela explica que a maior parte das mudas usadas atualmente no Brasil ainda vem de fora, o que pode trazer pragas, doenças e atrasos na entrega.
— Nem sempre a muda chegava no momento exato de plantio que o produtor precisava — pontua.
A BRS Fênix é uma cultivar de dias curtos, com plantio previsto para o fim de março e início de abril. A produção começa cerca de 60 dias depois e segue por sete meses.
Andrea destaca que a planta produz morangos em um período com menor oferta no mercado, o que pode elevar o valor de venda. O potencial produtivo é de até 1,2 quilo por planta.
Com produção nacional, a logística também muda. A analista da Embrapa afirma que, diferentemente das mudas importadas — que geralmente precisam ser pagas adiantado —, viveiristas locais oferecem condições flexíveis.
— O agricultor vai poder pagar o valor da muda com a própria produção — comemora.
A cultivar foi criada para as condições do RS, mas já apresenta bom desempenho em outras regiões. Testes mostram produtividade no Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Distrito Federal, e a variedade começa a ser indicada para a região Centro-Oeste. A intenção da Embrapa é ampliar o portfólio de cultivares para oferecer mais alternativas de produção ao agricultor.
Setor acompanha a mudança

Mudas da BRS Fênix já são produzidas por viveiristas gaúchos e podem ser encomendadas para plantio em abril, com colheita até dezembro.
O representante comercial Luiz José Birk, que atua com insumos para morango, afirma que a Expodireto mostra avanços tecnológicos que têm impacto direto na produção.
— Cada ano, feira nova, tecnologia nova. É um avanço muito grande na parte do agro — avalia.
Mudas importadas
O agricultor Camilo Noro, que produz morangos há quatro anos, relata os desafios de trabalhar com mudas vindas do exterior. Ele conta que, na primeira safra, precisou adquirir mudas da Argentina.
— Elas vieram até a metade do caminho e pararam. Eu tive que ir buscar para não perder, porque a muda vem congelada, só a raiz nua — lembra. A interrupção da entrega gerou custos extras.

Nos anos seguintes, o produtor trocou de fornecedor e passou a receber mudas importadas da Espanha. A logística, porém, continuou complexa, já que as entregas ocorrem entre abril e julho e exigem planejamento preciso.
— Se a gente perde alguma muda e precisa trocar, é mais complicado. Tem que chegar rápido e a gente precisa ter resfriamento para processar a muda e plantar, para não perder — explica.
Noro avalia que a disponibilidade de uma cultivar nacional pode mudar o cenário:
— Vai facilitar muito. A gente depende de chegar no dia certo. Com muda daqui, não precisa mais correr atrás.
