
Uma forma diferente de cultivar e colher a erva-mate está viabilizando novos produtos derivados da planta, como refrigerantes, chás e shots com sabor mais intensos. Apresentados na Expodireto Cotrijal, eles são feitos com as folhas mais jovens, que possuem maior concentração de compostos bioativos.
Segundo a analista da Embrapa Florestas, Cátia Pichelli, a planta possui uma alta composição química, com potencial ainda pouco explorado pela indústria.
— A erva-mate tem mais de 200 compostos bioativos. Quando olhamos para a planta, percebemos um potencial muito grande para novos produtos, especialmente porque o consumidor busca cada vez mais alimentos naturais e saudáveis — explica.
A pesquisadora afirma que os estudos também buscam aprimorar a produção nas propriedades rurais. Entre as iniciativas, está o desenvolvimento de sistemas de cultivo que mantêm a planta menor e permitem colher folhas mais novas, que apresentam características químicas diferentes.
Produção começa no viveiro

Parte desse processo começa ainda na produção das mudas. No interior de Novo Barreiro, no norte gaúcho, a viveirista Gabriela Hoffman mantém a propriedade familiar que, há mais de 60 anos, cria mudas destinadas ao plantio de ervais.
— A gente coleta a semente, faz a limpeza e depois deixa ela em dormência na areia para quebrar a casca, que é bem dura. Depois colocamos nos tubetes com substrato e esperamos germinar. Quando nascem várias mudinhas, a gente seleciona e deixa apenas uma para que ela tenha espaço para crescer — explica.
As mudas produzidas no viveiro abastecem áreas de cultivo em propriedades rurais e também iniciativas voltadas ao desenvolvimento de novos produtos à base da erva-mate.
Industrialização preserva bioativos

A etapa seguinte ocorre na indústria, onde empresas como a Ervais do Futuro, de Espumoso, apostam em um modelo de processamento inovador. Segundo a diretora de operações e responsável pela pesquisa, Natália Aguiar, o foco é trabalhar principalmente com folhas jovens, colhidas com menos de um mês.
— Identificamos nas pesquisas que as folhas jovens têm muito mais potencial químico, com maior presença de cafeína, teobromina e antioxidantes — afirma.
A industrialização também segue um processo diferente do tradicional. A secagem é feita em sistema elétrico, sem queima de material, ajudando a preservar o sabor e os compostos da planta.
— Nas indústrias convencionais, há a queima durante o processamento. No nosso caso, utilizamos um sistema elétrico de secagem, o que também interfere no perfil sensorial do produto — explica.
Refrigerante, chás e até "shot” energético
A matéria-prima permite o desenvolvimento de diferentes produtos derivados da erva-mate, como um refrigerante feito com extrato da planta. Além da bebida gaseificada — disponível em versões com e sem açúcar — também são produzidos chás especiais.
A sommelier de chás Rosângela Warken Flores, que trabalha com blends utilizando a erva-mate, destaca que o processo de produção preserva compostos importantes da planta.
— É um processo que mantém os bioativos da erva-mate. Isso permite criar chás diferentes, mais equilibrados e com propriedades interessantes para o consumo — afirma.
Entre as novidades também está um shot energético em pó, que pode ser diluído em água. O produto combina erva-mate com ingredientes naturais como gengibre, ginseng e maca peruana.



