A menos de uma semana para o início da Expodireto Cotrijal, o ritmo já é acelerado no parque que sedia a feira em Não-Me-Toque, no norte do RS. O evento começa na próxima segunda-feira (9).
Caminhões entram e saem, estruturas são erguidas e, antes mesmo da abertura dos portões, em torno de 4 mil pessoas trabalham para transformar o espaço em uma das maiores vitrines do agronegócio do país.
Segundo o presidente da Expodireto Cotrijal, Nei César Manica, durante a programação da feira, o número deve ultrapassar cinco mil trabalhadores dentro dos estandes.
— A cada dia que passa a movimentação é maior. O produtor vem em busca de conhecimento, inovação e oportunidade de negócio. A Expodireto, não dito por nós, mas dito pelo grande público, é a Disney do agronegócio. Aqui, o pessoal de sente confortável. Tem muita oportunidade no setor de máquinas, sementes, químicos, universidades e na agricultura familiar, que também é de extrema importância — disse.
Neste ano, a feira deve reunir mais de 550 expositores e representantes de mais de 70 países. A expectativa é receber cerca de 300 mil visitantes ao longo dos cinco dias de evento que contará com debates, fóruns, rodadas de negócios e apresentação de inovações tecnológicas voltadas ao campo.
Pequenas propriedades, grandes conquistas
Entre os espaços mais aguardados está o pavilhão da Agricultura Familiar. Serão mais de 220 agroindústrias, vindas de 119 municípios gaúchos, reunindo produtores que encontraram na pequena propriedade uma fonte de renda e de permanência no campo.
É o caso de Vera Lúcia Santos da Silva, moradora do interior de Almirante Tamandaré do Sul. Há cerca de 18 anos, ela começou a produzir pães, massas e cucas artesanais por necessidade.

— Meu marido trabalhava e ganhava pouco. Eu estava em casa. Comecei a fazer um pão para um vizinho, uma massa e uma cuca para outro. Foi pela necessidade mesmo. Eu ganhava Bolsa Família, mas era muito pouco o que eu ganhava. Não dava para a gente se manter — relembra.
Para Vera, um dos momentos mais marcantes foi quando deixou de receber ajuda e passou a contribuir:
— Para mim, foi muito gratificante quando eu fiz e entreguei pão e massa para o sacolão, que era o que eu ganhava todo mês. Aquilo ali foi a maior conquista da vida.
A agroindústria se tornou um negócio familiar. Filhos, marido e até a neta ajudam na produção. Presente na feira há mais de uma década, Vera diz que a primeira participação na Expodireto foi inesquecível.
— Levei os produtos e vendi tudo. Quando chegou na quinta-feira, não tinha mais. Foi muito gratificante e cada ano a gente se esforça mais. Eu dizia: "Um dia vou estar lá na Expodireto". Consegui chegar lá — relembra.
Ampliação do parque impacta região

Um trecho de 1,5 quilômetro da RS-142, em frente à Expodireto, foi realocado para melhorar o fluxo de veículos e permitir a ampliação da área. A obra, orçada em pouco mais de R$ 2,7 milhões, foi viabilizada por emenda parlamentar, com contrapartida da prefeitura.
De acordo com Manica, a mudança vai possibilitar a ampliação de 42 mil metros quadrados no parque, com a criação de 14 novas quadras. A previsão é que, em 2027, ao menos 180 novos expositores possam integrar a feira:
— A rodovia está praticamente pronta. Essa obra vai dar oportunidade para muitas empresas que estão aguardando.
Com estrutura hoteleira limitada no município, cidades como Passo Fundo, Carazinho e Victor Graeff também absorvem parte significativa dos visitantes. Segundo o prefeito de Não-Me-Toque, Gilson dos Santos, a movimentação econômica ligada à feira tem crescido entre 10% a 15% ao ano durante o período.
— Eu vejo (a obra) como um benefício regional. Quanto mais empresas expondo aqui, mas recursos entram no comércio e mais pessoas circulam pela cidade — afirma.




