
A 26ª edição da Expodireto Cotrijal começa na próxima segunda-feira (9) e volta a movimentar Não-Me-Toque. Durante o evento, a cidade do norte gaúcho se torna referência nacional e internacional em alternativas para o agronegócio.
Mais de 600 empresas estarão presentes no parque, com destaque para as 224 agroindustrias familiares de 119 cidades do RS. O local passa pelos últimos ajustes para receber os milhares de visitantes, que devem encontrar muita tecnologia e conhecimento, de acordo com o presidente da Cotrijal, Nei Mânica.
Entre 9 e 13 de março, mais de 4 mil pessoas vão trabalhar no evento, que envolve representantes de dezenas de países. Mânica conversou com GZH Passo Fundo sobre as expectativas para esta edição e o impacto da Expodireto na Região Norte. Confira a seguir.
GZH: Qual é a expectativa da Cotrijal para a Expodireto neste ano e o que os visitantes poderão ver nesta edição?
NM: A expectativa é bastante grande, porque temos mais de 600 empresas já dentro do parque; não temos mais espaço e tem muitas empresas aguardando. Estamos com todos os eventos programados, fóruns e seminários, e as empresas estão trazendo muita novidade, muita tecnologia. A cada ano que passa a inovação se renova e temos também a Arena Agro Digital, que vai discutir a inteligência artificial e todo esse processo.
As instituições financeiras também vêm com recursos, poderá ter alguma linha de crédito especial. Então, é uma exposição internacional — temos mais de 70 países confirmados — onde o produtor vem aqui para buscar informação, conhecimento, intercâmbio. Esse é o grande objetivo da Expodireto e isso tem trazido resultado, é um divisor de águas no setor produtivo aqui no Estado.
GZH: Em um momento delicado para o agronegócio, com endividamento dos produtores, o que a Expodireto vai trazer para ajudar o setor?
NM: Eu sempre digo que nos momentos de dificuldade têm as oportunidades. É lógico que temos que entender que o produtor vem de cinco frustrações, ele está descapitalizado, então vem aqui na Expodireto para buscar o conhecimento, levantar a autoestima e ver as oportunidades.
Primeiro, temos que equacionar esse endividamento que ainda não foi equacionado por todos e para todos, a discussão do seguro agrícola. Esses temas que a gente discute aqui com as entidades, com o governo federal e estadual, é buscando melhoria para o homem do campo. Ele precisa de crédito e alongamento dessas dívidas, é isso que a gente vai continuar fazendo.
É difícil às vezes o entendimento de certas instâncias governamentais, mas nós aqui no RS temos que ver isso ser tratado diferente do resto do Brasil. Isso que a Expodireto vai mostrar mais uma vez.
Vai vir com certeza um grande público, faremos as audiências e podem ter certeza que o nosso produtor é um trabalhador responsável. Ele virá aqui na Expodireto fazer suas reivindicações junto com todos nós, com as entidades, para que a gente possa chegar a um denominador comum e amenizar essa dificuldade que o Rio Grande do Sul passa.
GZH: Falando de oportunidades, além dos grandes produtores, aumenta o interesse pela agricultura familiar na feira. Qual o impacto dessa vitrine para o pequeno produtor?
NM: Para mim, não tem um grande produtor e um pequeno produtor. Um produtor com uma propriedade pequena pode ser um grande produtor, pode ter renda, pode ter resultado no campo, porque tudo é proporcional e por escala. Então, a Expodireto é para pequena, média e grande propriedade.
E na agricultura familiar tem um trabalho fantástico da Emater, onde tem 220 indústrias familiares que estão expondo seus produtos, produzidos, embalados e industrializados nas suas propriedades, e isso é muito importante. A presença das autoridades para ver esse trabalho que a pequena propriedade faz é muito importante também.
GZH: E como é ter 70 países representados no pavilhão internacional, querendo aprender e fechar negócios tendo a Expodireto como referência?
NM: Temos acompanhado esse problema que tá acontecendo no Oriente Médio, nessa guerra é um absurdo o que vem acontecendo. Então, tem muitos países que estão tendo até dificuldade em conseguir visto e e voo para sair dos seus países.
Mas mesmo assim, com certeza, virão muitos estrangeiros aqui em busca justamente disso: o conhecimento, porque o Brasil é o maior celeiro de produção.
Hoje, o Brasil é o país que usa a mais alta tecnologia do mundo, é o país que mais cresceu, mais se desenvolveu, superando até os Estados Unidos em termos de tecnologia no agro. É uma referência mundial, tanto para a questão de produção, como também de relacionamento e pesquisa. Então, esses países vêm aqui em busca disso: relacionamento, conhecimento, oportunidade de ver a tecnologia e ver se implanta nos países em desenvolvimento, como na Ásia e África.

GZH: Além do parque, a feira movimenta Não-Me-Toque e as cidades ao redor. Como o senhor avalia esse retorno também para os municípios?
NM: Acho que quem é beneficiado são as comunidades aqui no raio de 200 quilômetros: lota todos os hotéis, movimenta restaurantes, posto de gasolina, horticultura, a imprensa mobiliza, transporte… enfim, movimenta toda uma economia antes e durante a feira.
A Expodireto oportuniza isso e as próprias famílias aqui da nossa cidade, e cidades vizinhas, já estão inclusive alugando suas casas para, durante a feira, ter uma renda extra. Tem também o Festival da Cuca com Linguiça, então a gente fica feliz porque a Expodireto está fazendo com que a nossa economia aqui possa se desenvolver mais rapidamente.
GZH: E como estão os últimos preparativos antes do início da feira?
NM: Eu gostaria de registrar o grande trabalho que as empresas estão fazendo aqui dentro do parque. Ele é todo, como você sabe, calçado, arborizado, com floricultura e temos a calçada da fama. É a Disney do agronegócio.
Hoje temos aqui mais de 3 mil pessoas trabalhando dentro do parque, todos cadastrados, identificados, com uma segurança total. E durante a feira, com os mais de 600 expositores, vão ser aí mais de 4 mil pessoas trabalhando dentro de cada estande, movimentando toda a nossa Expodireto e recebendo muito bem os visitantes.
Fica aqui o nosso convite, mais uma vez, para que todos venham. Aqui é business, é a Disney do agronegócio, o que tem de primeiro mundo em termos de tecnologia, inovação e organização está na Expodireto.

