
Realizar o sonho da filha de se formar em Direito é um dos maiores orgulhos do produtor rural Amauri Krawechuka, que há 16 anos trabalha com a produção de embutidos. Toda a faculdade foi paga com a renda da pequena agroindústria familiar.
— Um dia ela estava fazendo as contas de quanto era cada produto, o salame, o lombo. Então, no dia da formatura, fomos surpreendidos com o discurso, quando ela disse que o diploma se resumia em tantos quilos de salame, tantos quilos de lombo e por aí vai. Chego a ficar arrepiado de lembrar — lembra emocionado.
Apesar da produção ser pequena, a agroindústria que funciona no interior de Ijuí também ajudou na conquista do primeiro carro zero quilômetro da família. Três pessoas tocam o negócio: Amauri, a esposa e o genro.
Os produtos, que incluem salame, linguiça, lombo, costelinha defumada, torresmo e banha, podem ser encontrados na Expodireto, em Não-Me-Toque.
Mas antes de investir nos embutidos, a família trabalhava com hortigranjeiros. A mudança ocorreu aos poucos, depois que começaram a produzir salame e linguiça para consumo próprio e de vizinhos.
— A gente começou devagarinho. O pessoal gostou e foi pedindo mais. Fomos diminuindo a horta e aumentando a produção até virar uma agroindústria — conta Krawechuka.
A comercialização ocorre em feiras e de forma direta ao consumidor, além do fornecimento para a merenda escolar da rede municipal e estadual.
Receitas que atravessam gerações
Assim como a história da família Krawechuka, tantas outras ocupam os corredores do Pavilhão da Agricultura Familiar da Expodireto, que neste ano conta com 224 expositores, de 119 cidades gaúchas.
É o caso da agroindústria Hermes, de Arroio do Tigre, no Vale do Rio Pardo. Há 40 anos, nasceu a partir das receitas da avó de Vânia Regina Zuchetto, que hoje está à frente do negócio.
A família cultivava tabaco e passou a diversificar a produção para complementar a renda. As receitas caseiras se tornaram a base da agroindústria que produz biscoitos, cucas, pães e também embutidos.
— Era uma casa com muitas mulheres, então eram elas que faziam as receitas e produziam para vender. A gente mantém essas receitas até hoje — conta sobre as receitas passadas entre gerações.
O negócio familiar cresceu e atualmente emprega cerca de 25 pessoas. A família mantém um ponto de venda em Arroio do Tigre, mas aproveita as feiras para divulgar a marca.
Do avô à bisneta, o legado do mel

O legado também é a base da agroindústria de mel do produtor Alisson Paulineli da Rosa. Na família, os primeiros registros de apicultura datam de 1962.
A atividade começou com o avô, passou para o pai e segue com Alisson. Agora, a tradição começa a chegar também à filha, de 18 anos.
— Hoje somos eu, minha esposa e minha filha trabalhando juntos. Desde os 12 anos ela já coloca o macacão e vai para o apiário ajudar — diz, orgulhoso.
Na propriedade, o trabalho envolve desde o cuidado com as colmeias até a extração e o envase do mel:
— A gente não produz o mel. A gente cria as abelhas para que elas produzam. Então, temos o maior cuidado já na criação delas, para que não seja retirado tudo. Apenas pegamos o excedente.
O trabalho familiar foi reconhecido na feira: a agroindústria recebeu o Troféu Brasil da Expodireto Cotrijal 2026, premiação que destaca iniciativas da agricultura familiar.
A feira
A 26ª Expodireto Cotrijal termina nesta sexta-feira (13), com mais de 610 expositores e representantes de 70 países. A expectativa é receber 300 mil visitantes ao longo dos cinco dias de evento.





