
A uma semana da Expodireto Cotrijal, que recebe em média 300 mil visitantes por ano, a corrida por hospedagem já muda o cenário no norte do RS. Em Não-Me-Toque, além dos hotéis, cresce o número de moradores que deixam as próprias casas para alugar os imóveis durante os dias de feira.
A escolha é motivada pela alta demanda e pela oportunidade de renda extra. Muitas famílias aproveitam o período para viajar ou tirar férias, enquanto colocam casas e apartamentos à disposição de expositores e trabalhadores do evento.
De acordo com o empresário e corretor de imóveis Douglas Alexandre Marchi, a cada ano aumenta o número de residências preparadas exclusivamente para esse tipo de locação na cidade.
— Temos vários casos de empresas que já estão familiarizadas com um determinado imóvel e que mantêm a contratação anualmente. Podemos afirmar que 95% dessas locações são apenas de renovação de um ano para o outro, com as mesmas empresas e mesmas pessoas — afirma.
Segundo ele, o valor investido na hospedagem chega a R$ 5 mil durante os cinco dias de feira.
— A maioria das pessoas loca para os dias de feira, porém temos expositores responsáveis pela montagem que alugam até 60 dias antes e ficam até 20 dias depois. Temos tranquilamente mais de 300 imóveis locados — conta.
Aluguel em plataformas
Sem disponibilidade na hotelaria tradicional, expositores e visitantes também recorrem às plataformas de locação por temporada.
Em levantamento, a reportagem identificou cerca de 100 imóveis disponíveis apenas em Não-Me-Toque. Os preços variam conforme o tipo de acomodação.
Um apartamento de dois quartos aparece por R$ 9,3 mil no período de quatro pernoites. Casas custam entre R$ 5 mil e R$ 14 mil, dependendo do tamanho e da distância do parque. Há ainda quartos individuais por R$ 1,5 mil.
Hotéis lotados

Enquanto as casas viram alternativa, a rede hoteleira dos municípios mais próximos já opera no limite. Em Não-Me-Toque, um dos hotéis consultados começou a anunciar as vagas ainda em outubro. Um mês depois, toda a capacidade estava vendida.
Em outro hotel, os contratos com empresas são assinados anualmente, o que garante ocupação total durante o período. As reservas costumam ser fechadas para os cinco dias de feira, geralmente para os mesmos clientes todos os anos.
A alta procura atinge também motéis. Um estabelecimento relatou à reportagem que as suítes são reservadas com meses de antecedência.
Em Carazinho, a 23 quilômetros do parque da Expodireto, o cenário é parecido. Hotéis operam com 100% de ocupação, com reservas feitas principalmente por multinacionais e representantes comerciais. Em outro local, as vagas esgotaram recentemente, há cerca de duas semanas.
Passo Fundo ainda tem vagas
Mais distante, a 65 quilômetros da Expodireto, Passo Fundo registra um cenário diferente. O município ainda tem disponibilidade na maioria dos meios de hospedagem.
Segundo o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Passo Fundo (SHRBS), Leo Duro, a procura neste ano foi menor do que o esperado.
— Estamos a poucos dias do início da feira e ainda temos 90% dos meios de hospedagem em Passo Fundo com vagas disponíveis para reserva. Percebemos também uma questão de cancelamentos nestes dias que antecedem a feira — afirma.
Para ele, a redução das reservas está ligada justamente ao crescimento das locações de casas e apartamentos dentro de Não-Me-Toque.



