Um novo ramo na produção de leite pode ser a solução para pessoas que têm maior sensibilidade ao alimento: trata-se do leite A2, tipo que contém uma variação específica na proteína que auxilia na digestão da bebida. No norte gaúcho, uma propriedade de Vila Lângaro, município de 2,1 mil habitantes, apostou na seleção genética das vacas leiteiras para produzir o alimento.
A diferença do leite A2 para o leite A1A1 (tradicional) é o fato de que o tipo A1A1 produz substâncias que podem ser mal digeridas por algumas pessoas, gerando sintomas como distensão abdominal, dores e alterações no hábito intestinal.
— O leite tipo A2A2 não está relacionado à lactose, mas à caseína, que é a proteína do leite. É essa caseína que apresenta uma diferença de digestão — explica a nutricionista Natália Piovesan.
Para produzir esse leite, é essencial que as vacas leiteiras carreguem em seu DNA uma característica única: o genótipo A2A2. A testagem é realizada com uma amostra do pelo do bovino e o resultado é disponibilizado em até 30 dias.
Foi pensando nisso que João Vitor Secco, produtor da localidade de Colônia Nova, na zona rural de Vila Lângaro, começou o processo de seleção há cinco anos. Agora, cerca de 90% do rebanho está comprovado. A expectativa é que todas as vacas estejam selecionadas até o final de 2026, para que possam iniciar em definitivo a produção de leite tipo A2.
— Tínhamos o objetivo de entregar algo diferente. Foi assim que encontramos o leite A2, que estava iniciando em 2018 no Brasil. Traçamos a meta de transformar nosso rebanho em A2 com o propósito de, futuramente, industrializar a produção na propriedade e, também, com o objetivo social de proporcionar oportunidade para que mais pessoas possam consumir leite — conta Secco.
O manejo e a alimentação desses animais são idênticos aos dos demais bovinos. A única distinção reside no genótipo da espécie. De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), no Rio Grande do Sul existe apenas um estabelecimento com registro no Serviço de Inspeção Federal (SIF) e certificação para a produção de leite A2, localizado em Farroupilha, na Serra.
Qual a diferença entre os leites?
Existem duas variações da beta-caseína, uma das principais proteínas do leite: A1 e A2. Enquanto o leite comum contém a proteína beta-caseína A1, que pode liberar um peptídeo causador de desconfortos intestinais em algumas pessoas, o leite A2 possui a variação beta-caseína A2, que não libera essa substância. Isso o torna uma opção viável para pessoas sensíveis a essa proteína.
Maria Eduarda Wlodarkievicz, estudante de 28 anos, descobriu na infância ter reações alérgicas ao leite comum, manifestando dores de estômago e inchaço. Somente na vida adulta, por orientação nutricional, ela encontrou no leite tipo A2 a possibilidade de consumir o alimento novamente.
— Existem diferentes graus de alergia, mas no meu caso consegui consumir sem ter nenhum efeito colateral. Antes, eu consumia sempre o leite vegetal. Para mim, consumir novamente o leite de vaca é maravilhoso porque o gosto e as possibilidades são diferentes — relata.
Agora, a variação do leite comum abre novas oportunidades, permitindo que pessoas como Maria Eduarda voltem a consumir a bebida.
— Agora as receitas são todas com leite A2. Existem outras variações de produtos, como creme de leite, que já estão no mercado. Agora não falta mais leite aqui em casa — celebra.
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