
A queda no preço do feijão, somada à baixa mecanização e à escassez de mão de obra, levou à redução de mais de 400 hectares na área semeada do grão no norte do RS na safra atual, totalizando 900 hectares plantados. Esse cenário, que alivia o bolso dos consumidores, acende um alerta para os produtores da região do Alto Uruguai.
Agricultores que haviam fechado contratos na safra anterior recebiam até R$ 250 pela saca de feijão. Atualmente, o valor médio praticado é de R$ 110, influenciando diretamente a diminuição da área cultivada.
Conforme a Emater/RS, além dos baixos preços, o desestímulo é motivado pela dificuldade em conseguir mão de obra para a colheita. Segundo o assistente técnico regional Luiz Ângelo Poletto, isso não acontece só na Região Norte.
— Em 2024, no Rio Grande do Sul, foram plantados 30 mil hectares, e neste ano, esse número reduziu para 18 mil. O fator principal é o preço e, para alguns produtores, a falta de alternativas para mecanizar. Além disso, o Centro-Oeste brasileiro tem plantado com pivô-central três safras, o que garante produção suficiente lá — conta.
No interior de Erechim, o agricultor Nédio Olkoski cultivou uma área de 6 mil metros quadrados de feijão. Ele projeta uma boa produtividade, mas expressa preocupação com o mercado.
— A defasagem nos preços inviabiliza o negócio. Se não temos renda, isso desestimula a propriedade, mas vamos continuar por um tempo ainda. A maioria do pessoal já desistiu por questões de preço, suporte e entrega, pois é uma cultura difícil de manusear e lidar — relata.
Já nas prateleiras dos supermercados, os consumidores percebem uma estabilização nos preços. Para Iliete Fátima Bianchi, auxiliar de escritório, é um alívio para quem prepara o alimento diariamente:
— De um tempo para cá, o preço se estabilizou. Parou de subir.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que o preço do quilo do feijão no mercado atacadista registrou queda, comparando os meses de janeiro e dezembro do ano passado, chegando a uma redução de até R$ 2,64.
Na lavoura, o incentivo aos produtores reside no experimento de novas variedades da cultura. A propriedade de Olkoski abriga um dos sete ensaios implantados pela Emater no Estado.
— Procuramos escolher variedades mais produtivas, mais rápidas para o cozimento e com maior facilidade nos tratos culturais. Nosso objetivo é incentivar o produtor a realizar três safras no ciclo anual: plantar trigo, depois feijão, colher o feijão e plantar uma nova safra — explica Luiz Ângelo Poletto.
A previsão de colheita é para a segunda quinzena de fevereiro, com expectativa de bons rendimentos.
— Acredito que vamos tirar em torno de 70 a 80 sacas por hectare, no geral, se continuar dessa forma — conclui o agricultor.
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