Por Clarisa Garcez, presidente da VIAVIDA Pró-Doações e Transplantes
Ao longo dos 26 anos de história da VIAVIDA, aprendi que falar sobre doação de órgãos é, antes de tudo, falar sobre vida. Parece simples, mas ainda encontramos muitas pessoas que nunca conversaram com seus familiares sobre o assunto. E essa conversa, que pode parecer desconfortável, precisa acontecer enquanto estamos aqui, próximos de quem amamos.
O Setembro Verde, mês de conscientização sobre a doação de órgãos, nos oferece uma oportunidade importante para colocar esse tema na mesa. No Brasil, a decisão da família é fundamental para que uma doação possa acontecer. Por isso, não basta ter a intenção de ser doador. É preciso comunicar essa vontade. Quando a família conhece a decisão, ela também conhece o desejo de transformar um momento de dor em uma possibilidade de recomeço para outra pessoa.
Na VIAVIDA, acompanhamos de perto o que significa esperar por um transplante. Por meio da Pousada Solidariedade, acolhemos pacientes e familiares de todo o Brasil que chegam a Porto Alegre em busca de tratamento e, muitas vezes, convivem durante meses com a incerteza de não saber quando um órgão compatível estará disponível. Desde 2004, mais de 8.900 pessoas já passaram por esse acolhimento.
Por isso, acredito que conscientizar sobre doação não significa apenas falar sobre números ou filas de espera. Significa lembrar que, por trás de cada pessoa que aguarda um órgão, existe uma história, uma família e um desejo de continuar vivendo.
Meu convite é simples: converse. Diga à sua família que você deseja ser doador
Nestes 26 anos de VIAVIDA, também aprendi que nenhuma mudança acontece sem diálogo. A doação de órgãos precisa deixar de ser um assunto lembrado apenas em campanhas e passar a fazer parte das conversas das famílias durante todo o ano.
Neste Setembro Verde, meu convite é simples: converse. Diga à sua família que você deseja ser doador. Não deixe para depois. Uma simples e justificada conversa pode ser rápida, mas a decisão compartilhada pode representar uma nova oportunidade de vida para alguém.




