Por Giacomo Balbinotto Neto, professor de Economia da UFRGS
As pontes destruídas pelas enchentes serão reconstruídas. O desafio muito maior será reconstruir a capacidade de o Rio Grande do Sul voltar a crescer.
O Estado reúne muitos dos ativos normalmente associados ao desenvolvimento. Possui universidades de excelência, uma agropecuária altamente competitiva, uma indústria diversificada e uma força de trabalho qualificada. Ainda assim, perdeu dinamismo econômico nas últimas décadas. O envelhecimento da população, o baixo crescimento da produtividade, a necessidade de ampliar o investimento e os desafios impostos pelas mudanças climáticas tornaram essa realidade ainda mais evidente.
O Estado reúne muitos dos ativos normalmente associados ao desenvolvimento
Douglass North mostrou que crescimento econômico depende da qualidade das instituições. Quando as regras oferecem segurança jurídica e previsibilidade, empresas investem, inovam e assumem riscos. Quando deixam de acompanhar a economia, tornam-se parte do problema.
Mancur Olson observou que economias maduras acumulam, ao longo do tempo, regras criadas para resolver problemas do passado. Muitas continuam fazendo sentido. Outras acabam dificultando as mudanças necessárias para enfrentar o futuro.
Daron Acemoglu e James Robinson acrescentam que prosperidade depende menos do tamanho do Estado do que de sua capacidade de executar políticas públicas, adaptar-se às mudanças e permanecer permanentemente sujeito ao controle de uma sociedade ativa.
Essa talvez seja a principal tarefa do Rio Grande do Sul. Reconstruir significa simplificar procedimentos, reduzir a insegurança jurídica, melhorar a coordenação entre governo, municípios, universidades e empresas e tornar o investimento mais previsível.
Pontes podem ser reconstruídas em poucos anos. Instituições levam décadas. O maior legado do próximo governo não será apenas aquilo que construir, mas a capacidade de deixar um Rio Grande do Sul onde empresas invistam com confiança, jovens encontrem razões para permanecer e a economia volte a crescer de forma sustentável. Porque obras inauguram mandatos. Instituições moldam gerações.

