Por Hugo Muller, presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)
“O ajuste fiscal virá no amor ou na dor”. A frase, dita por um dos painelistas dos Colóquios do Fórum da Liberdade, na noite da última segunda-feira(10), resume um dos principais dilemas brasileiros. O cenário atual reflete décadas de decisões que privilegiaram alguns em detrimento do país.
A falta de uma política de Estado no Brasil faz com que qualquer caminho sirva, e as oportunidades seguem na estante sem ambiente para serem aproveitadas
O Brasil está travado na armadilha de crescimento médio, sem ganho de produtividade e, consequentemente, de renda, mesmo com o bônus demográfico que o país poderia ter aproveitado. A falta de uma política de Estado no Brasil faz com que qualquer caminho sirva, e as oportunidades seguem na estante sem ambiente para serem aproveitadas.
Parece haver consenso entre economistas e especialistas de que a técnica e a experiência internacional, baseadas em dados e evidências, mostram caminhos para aumentar a produtividade e a prosperidade das nações. O problema é transformar esse conhecimento em decisão política.
O Brasil se acostumou a privilegiar benefícios imediatos em detrimento de ganhos de longo prazo. Uma emenda parlamentar aqui, um programa ineficiente de transferência de renda ali, uma Zona Franca e um benefício setorial. Isoladamente, cada medida pode até ter sua justificativa. Juntas, ajudam a explicar um Estado cada vez maior, mais caro e cheio de privilégios.
No debate entre candidatos ao Senado pelo Rio Grande do Sul, realizado após o painel com Marcos Lisboa e Walter Maciel, pareceu haver convergência sobre a urgência de reformar o Estado e torná-lo mais leve para o cidadão. Sem falar da evidente necessidade de uma melhoria nas instituições e na segurança jurídica do país.
O problema, portanto, não parece ser falta de conhecimento. A técnica aponta caminhos. A experiência de outros países oferece evidências. Os especialistas sabem o que funciona.
Mesmo assim, parece que a velha política sempre vence no Brasil. O curto prazo ganha do longo prazo, o benefício concentrado vence o interesse difuso e a conta fica para depois.
O ajuste fiscal virá. A questão é se teremos capacidade de fazer as escolhas difíceis antes que a realidade nos obrigue.
E aí, vai ser no amor ou na dor?

