Por Felipe Geremia Nievinski, professor no Instituto de Geociências e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Sensoriamento Remoto da UFRGS
Em 2016, estive em Pequim para um treinamento, por indicação da Agência Espacial Brasileira. Na época, o GPS americano dominava e o equivalente chinês, chamado BeiDou, oferecia cobertura apenas na Ásia. Em 2026, tive a oportunidade de retornar à China por quatro semanas com uma delegação de 10 pesquisadores da UFRGS para alinhar projetos conjuntos. A comitiva gaúcha se juntou a outros 150 pesquisadores brasileiros em mobilidade acadêmica para tratar de temas como Ciência e Tecnologia Espaciais.
Pude comprovar presencialmente o progresso chinês no setor aeroespacial, inclusive nas atividades comerciais. O BeiDou conta agora com uma constelação de mais de 30 satélites com cobertura global. Tais sistemas de posicionamento são uma das tecnologias invisíveis habilitando carros autônomos, como os caminhões de carga pesada que vimos no porto de Ningbo-Zhoushan, os carrinhos de entrega em Hangzhou ou o ônibus escolar dentro do campus da Universidade de Beihang. Já suportada pela maioria dos celulares novos vendidos no Brasil, a diversidade de satélites chineses serve como uma alternativa para o caso de indisponibilidade do GPS e para reduzir as vulnerabilidades no Sistema Nacional de Posicionamento, Navegação e Tempo proposto para o Programa Espacial Brasileiro.
Pude comprovar presencialmente o progresso no setor aeroespacial
Esta primeira edição do Programa Brasil–China de Líderes em Inovação Científica e Tecnológica foi encabeçada pelo professor Rui Oppermann, ex-reitor da UFRGS e atual diretor de Relações Internacionais da Capes (Ministério da Educação).
A exemplo de muitas universidades americanas e europeias, universidades brasileiras como USP e UFRJ inauguraram recentemente institutos conjuntos com as universidades chinesas. Na UFRGS abrigamos o renomado Instituto Confúcio, que poderá servir de trampolim para novas aspirações. A oportunidade que se descortina é pegar carona no investimento monumental em ciência e tecnologia na China para inspirar uma nova geração de profissionais no Brasil.


