Por Daniel Randon, presidente da Randoncorp e presidente do Conselho Superior do Transforma RS
Mais uma vez fomos eliminados por uma seleção europeia. Não por falta de talento, pois o Brasil continua formando alguns dos melhores jogadores do mundo. Da mesma forma, somos uma potência em ativos estratégicos, referência em segurança alimentar, detentores de uma matriz energética limpa e ocupamos posição geopolítica privilegiada.
Por que, então, tamanho potencial nem sempre se transforma em liderança? Porque talento é condição necessária, mas não suficiente. As seleções mais vencedoras e os países mais prósperos combinam talento com estratégia, disciplina, governança, execução e visão de longo prazo.
A mesma lógica vale para a política. O problema é quando ela dá lugar à politicagem, interesses individuais se sobrepõem aos do país e a energia que deveria fortalecer a competitividade é consumida por disputas de curto prazo.
Existem recursos. Falta capacidade de transformá-los em resultados
Grandes conquistas exigem liderança, planejamento, continuidade e capacidade de mobilizar pessoas em torno de um propósito comum. Nenhuma seleção entra em campo pensando só na próxima partida. E nenhum país prospera pensando apenas na próxima eleição.
A derrota brasileira reforça uma verdade simples: o sucesso do passado não garante o futuro. A história inspira, mas não vence jogos, não gera prosperidade nem aumenta a competitividade. Disciplina, capacidade de execução e busca permanente pela excelência transformam potencial em resultados. O famoso “jeitinho brasileiro”, frequentemente associado à criatividade e à adaptação, encontra limites em ambientes altamente competitivos.
Já temos recursos naturais, capacidade empreendedora, criatividade e posição estratégica. Falta transformar essas vantagens em competitividade, prosperidade e resultados consistentes, como fazem as economias avançadas, as empresas mais admiradas e as seleções mais vencedoras do mundo. No futebol, nas empresas ou no desenvolvimento de uma nação, vence quem atua como um verdadeiro time, com liderança, estratégia, disciplina e excelência na execução com propósito comum. Quando o interesse coletivo perde espaço para interesses pessoais e para a politicagem, o resultado raramente passa da mediocridade.
