Por Dom Leomar Antônio Brustolin, arcebispo de Santa Maria e presidente do Regional Sul 3 da CNBB
Durante muito tempo, a transmissão da fé cristã acontecia quase naturalmente: passava de geração em geração pela família, pela escola e pela própria cultura. Essa realidade mudou. Vivemos em uma sociedade plural, conectada e marcada por rápidas transformações e diferentes visões de mundo. Nesse cenário, a Igreja compreende que anunciar o Evangelho exige mais do que repetir métodos do passado: requer escuta, diálogo e discernimento.
Essa mudança não significa abandonar convicções, mas encontrar novas formas de permanecer fiel ao Evangelho. Antes de oferecer respostas prontas para questões complexas, a Igreja é chamada a ouvir as pessoas, compreender suas alegrias e sofrimentos e discernir a ação do Espírito Santo na história.
A evangelização não pertence somente aos bispos, padres e religiosos
Foi com esse horizonte que os bispos brasileiros aprovaram, em abril, no Santuário Nacional de Aparecida, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para os próximos seis anos. Mais do que um documento interno, elas expressam o desejo de renovar a presença missionária da Igreja na sociedade.
As diretrizes reafirmam que a evangelização não pertence somente aos bispos, padres e religiosos. Todo cristão, pelo batismo e pelo testemunho da própria vida, é chamado a anunciar o Evangelho e a contribuir para comunidades acolhedoras, fraternas e comprometidas com o bem comum.
Essa missão possui também uma dimensão social. Uma Igreja voltada apenas para si perde a capacidade de servir. Por isso, as diretrizes reforçam o compromisso com a dignidade humana, a defesa dos vulneráveis, o cuidado com as famílias, a solidariedade e a cultura da paz. A fé não se limita às celebrações; inspira responsabilidade e participação na construção de uma sociedade mais justa.
Em um tempo marcado pela solidão, pela polarização e pelo individualismo, a Igreja deseja fortalecer espaços de encontro, comunhão e esperança. Ela não se renova para seguir modismos, mas para permanecer fiel a Jesus Cristo e tornar seu Evangelho mais presente na vida das pessoas.
