Por Mariana de Souza Arieta, orientadora Educacional do Colégio Marista Rosário
Quando Toy Story chegou aos cinemas, em 1995, a rotina das crianças era marcada por brinquedos físicos, brincadeiras ao ar livre e encontros presenciais. Três décadas depois, a realidade mudou: celulares, tablets e videogames passaram a ocupar parte importante do tempo livre. Já ouviu uma criança pequena dizer: “Estou entediada?”
Para lidar com o tédio, brincávamos, inventávamos, explorávamos e encontrávamos algo para fazer. Hoje, esse tédio é substituído por tablet, celular ou videogame. Mas quem estuda e trabalha com educação sabe que é por meio das brincadeiras que crianças criam e recriam seu mundo e o mundo ao seu redor, constituindo-se como sujeitos que vivem em sociedade.
Que espaço nós, adultos, oferecemos para que aprendam diferentes brincadeiras?
Ouvimos famílias e educadores comentando que as crianças da atualidade não sabem mais brincar. Mas a pergunta é: que espaço nós, adultos, oferecemos para que aprendam diferentes brincadeiras e possam brincar? Quantos de nós deixamos de lado o celular, o trabalho ou outras demandas para brincar com elas?
Dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil mostram que mais de 90% de crianças e adolescentes brasileiros utilizam a internet regularmente, reforçando o desafio de equilibrar o uso da tecnologia com experiências para o desenvolvimento infantil. Cada vez mais, essas experiências vêm sendo deixadas de lado por múltiplos fatores: rotina acelerada das famílias, questões de segurança que já não permitem que os pequenos brinquem livremente nas ruas e presença crescente de tecnologias e telas.
Toy Story torna-se uma oportunidade para que famílias e educadores reflitam sobre o valor do brincar, da imaginação e das interações presenciais na formação das novas gerações. Embora o ideal seja promover menos telas e mais brincadeiras, não podemos negar a presença das tecnologias em nosso cotidiano. Pelo contrário: podemos utilizá-las a nosso favor.
Quem sabe o novo filme da franquia, com classificação indicativa de 6 anos, não seja uma oportunidade para que crianças tenham um dia de cinema e, depois, compartilhem histórias sobre as brincadeiras de antigamente? Quem sabe, ao assistir Buzz Lightyear, Woody e toda a turma, possamos resgatar a criança que existe dentro de cada um de nós e relembrar a importância do brincar na forma de ser e estar no mundo? Fica o convite.



