Por Juliano Ferreira, delegado e diretor do Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis da Polícia Civil
Diariamente, as autoridades que têm a missão de enfrentar a violência contra a mulher são confrontadas com a mesma pergunta: por que esses índices vêm crescendo nos últimos anos?
Inúmeras hipóteses são levantadas para responder a esse questionamento. Algumas apontam para questões culturais; outras citam o efeito copycat, sugerindo que a ampla divulgação desses crimes incentivaria novos agressores. Até mesmo o backfire effect (efeito tiro pela culatra) é mencionado: uma reação hostil ao avanço do empoderamento feminino por parte de homens que não aceitam essa nova realidade.
Na verdade, todas essas hipóteses podem atuar como gatilhos em casos isolados. Contudo, embora o machismo seja cultural, a ideia de que a violência está necessariamente aumentando precisa ser analisada com cautela.
Atualmente, elas reagem e denunciam, o que reduz a subnotificação
Essa afirmação é imprecisa. Em razão do aparato estatal, do suporte legal e de um Judiciário atento às questões de gênero, as mulheres – que em um passado recente sofriam silenciosamente – estão se encorajando. Atualmente, elas reagem e denunciam, o que reduz a subnotificação. Por isso que os registros policiais de violência doméstica crescem cerca de 30% ao ano.
Isso não significa ausência de preocupação; pelo contrário, as autoridades seguem em alerta máximo. O grande desafio atual é atingir a maturidade necessária na "busca ativa", ou seja, alcançar a mulher que sofre a violência mas ainda não procurou a polícia. Esses casos silenciosos são, infelizmente, os que costumam evoluir para o feminicídio.
Apesar dos desafios, há motivos para otimismo. A nova geração demonstra maior conscientização sobre o tema. Educados sob o princípio de que todos são iguais e de que nenhuma discriminação deve ser tolerada, esses jovens lideram uma mudança cultural. Por isso, é possível afirmar: em um futuro próximo, a violência contra a mulher será apenas uma triste página do passado.

