Por Daniel Kohl, diretor da DTA Engenharia, empresa responsável pelo projeto do Porto Meridional
A viabilidade técnica de grandes empreendimentos deve ser analisada à luz de critérios científicos consolidados – e não em impressões ou comparações feitas por quem desconhece os detalhes do projeto. O projeto do Porto Meridional, em Arroio do Sal, nasce a partir da competência técnica multidisciplinar, que leva em consideração os aspectos geotécnicos, oceanográficos e logísticos da área e do seu entorno.
É um terminal portuário projetado para ser onshore, ou seja, junto à costa. A engenharia portuária e as tecnologias atuais permitem que operações desse tipo não dependam de “mares ideais”, mas da capacidade de prever e tratar condições reais com precisão matemática.
É um terminal portuário projetado para ser onshore, ou seja, junto à costa
A geotecnia – ramo da engenharia civil e geologia que estuda o comportamento dos solos e rochas – trabalha com parâmetros mensuráveis e soluções adequadas a cada contexto. E é com base em estudos técnicos que a modelagem do Porto Meridional foi definida. Seus berços de atracação serão protegidos por quebramares enraizados na costa, que têm justamente a função de proteger os navios dos efeitos das ondas e correntes presentes na região.
Foram feitos diversos estudos hidrodinâmicos para definir o posicionamento e o porte dessas estruturas. Estudos de simulação de manobras demonstraram que os berços serão operacionais mais de 97% do tempo. É fundamental que se entenda que a viabilidade logística de um porto se mede pela eficiência do sistema como um todo, não por comparações isoladas de mapa.
O Estudo de Impacto Ambiental do Porto Meridional, que será tema de audiências públicas nesta terça-feira (16) na quinta (18), identificou os impactos ambientais e propôs medidas para mitigação ou compensação dos impactos negativos e potencialização dos positivos. O Porto nasce com a marca de quem chega para somar e a sua viabilidade técnica não ignora o meio ambiente. Pelo contrário, segue essa mesma premissa e prima por ele. Um projeto deste porte precisa estar inserido no todo e, também do ponto de vista técnico, entendemos que, cada vez mais, o equilíbrio com o meio ambiente é um aliado, não um componente de disputa.

