Por Hugo Muller, presidente do IEE
À medida que mais uma eleição se aproxima no Brasil, o debate público no país parece girar em torno de uma única pergunta: quem vai ganhar? Mas essa, talvez, seja a pergunta errada.
O verdadeiro problema do Brasil nunca foi apenas quem ocupa os cargos de poder. O problema está na forma como a política é conduzida. A cada ciclo eleitoral, políticas públicas viram peças de campanha, discussões complexas são reduzidas a slogans e decisões de longo prazo ficam subordinadas aos interesses imediatos da disputa pelo voto.
O debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1 é um exemplo desse problema. Uma pauta com impactos profundos sobre produtividade, geração de empregos e sobrevivência de pequenos e médios negócios foi transformada em instrumento de disputa política. Em vez de uma análise séria sobre consequências e alternativas, prevaleceram as narrativas e os ganhos eleitorais.
Litigância judicial, com medidas exageradas e inexequíveis, traz insegurança
O mesmo ocorre com os gastos públicos. Benefícios imediatos são anunciados sem que se fale sobre a conta que virá depois. Mas ela sempre chega, seja na forma de mais impostos, juros elevados, inflação ou menor crescimento econômico. E quem paga é a população.
Também preocupa o enfraquecimento da segurança jurídica. Em um ambiente no qual tudo é judicializado e regras parecem cada vez mais sujeitas a interpretações, a previsibilidade necessária para investir, empreender e gerar riqueza vai desaparecendo.
O resultado é um país que discute obsessivamente os candidatos, mas pouco debate as ideias. Trocam-se nomes, partidos e discursos, enquanto os problemas permanecem.
Por isso, a questão central nunca foi apenas quem vencerá as eleições. O que realmente importa é quais ideias defenderemos para construir um Brasil mais livre, mais próspero e mais justo. O futuro da nação será determinado não apenas pelas urnas, mas também pelos valores, instituições e princípios que escolhermos preservar.
Porque as eleições passam. Os princípios que orientam uma sociedade permanecem.
