Por Reno Schmidt, CEO da Bruning
Todo gaúcho que já transitou na BR-285 tem uma lembrança parecida: o balanço tenso de uma ultrapassagem arriscada, o nervosismo diante de um caminhão que vem em sentido contrário, ou a notícia de mais um acidente fatal naquele trecho. Não é acaso! É o preço que pagamos por uma rodovia de pista simples que tenta dar conta de um dos principais eixos econômicos do Estado.
É o investimento fundamental para reconectar o Estado ao crescimento
O Rio Grande do Sul vive um momento crítico de sua história econômica, marcado pela estagnação do PIB e por um preocupante êxodo populacional. Reverter esse cenário exige mais do que intenções, requer infraestrutura estratégica. A duplicação da BR-285, do litoral à Fronteira Oeste, é o investimento fundamental para reconectar o Estado ao crescimento.
O desenvolvimento dos municípios brasileiros passa pelas aglomerações industriais. Cidades como Vacaria, Passo Fundo, Panambi, Ijuí e São Borja formam polos de alta especialização que geram eficiência, inovação e empregos. No entanto, esse potencial é sistematicamente sufocado pelo custo do transporte em uma rodovia inadequada. Sem a duplicação, cada quilômetro percorrido em pista simples funciona como um imposto invisível, drenando a competitividade das nossas indústrias frente ao mercado global.
Mas toda economia deve estar a serviço da vida. Pistas duplicadas reduzem drasticamente colisões frontais, mortes e a sobrecarga nos sistemas de saúde – aliviando gastos públicos e famílias enlutadas.
Zelar por vidas é preservar o bem mais valioso de qualquer nação. Estradas eficientes aproximam universidades e centros de pesquisa e acenam com um futuro capaz de inspirar os jovens a ficarem onde vivem.
A infraestrutura é o suporte físico da inteligência urbana. A BR-285 deve deixar de ser o gargalo da produção para se tornar uma artéria de prosperidade. Duplicá-la é pavimentar o caminho do futuro.
