Por Gildásio Alves de Oliveira, presidente da Sociedade Porto-Alegrense de Auxílio aos Necessitados (Spaan)
O cuidado à pessoa idosa precisa entrar definitivamente no debate da saúde pública brasileira. As Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), historicamente vinculadas à assistência social, vivem hoje uma realidade muito mais complexa, marcada por demandas permanentes de saúde, alta dependência funcional e necessidade de atendimento multidisciplinar contínuo.
Na prática, essas instituições já atuam diariamente como estruturas complementares ao sistema de saúde. O perfil dos idosos acolhidos mudou. São pessoas, muitas vezes, acamadas, com doenças crônicas, limitações cognitivas severas, demências e necessidade de cuidados integrais 24 horas por dia.
Na Sociedade Porto-Alegrense de Auxílio aos Necessitados (Spaan), que há quase 95 anos acolhe idosos em situação de vulnerabilidade social em Porto Alegre, essa realidade é evidente. Atualmente, mais da metade dos moradores encontra-se em grau III de dependência, exigindo acompanhamento constante de técnicos em enfermagem, cuidadores e equipes compostas por médicos, fisioterapeutas, nutricionista, psicóloga, dentista, terapeuta ocupacional, assistente social e outros profissionais da saúde.
Trata-se de um debate sobre direitos humanos e dignidade
Ainda assim, as ILPIs seguem sem reconhecimento efetivo dentro da lógica de financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS). Permanecem sustentadas majoritariamente pela política de assistência social. É importante compreender que o idoso institucionalizado não possui necessidades fragmentadas entre saúde e assistência. O cuidado é integral. E essa integração precisa ser refletida também nas políticas públicas, nos financiamentos e na construção de soluções sustentáveis para o futuro.
O envelhecimento populacional já é uma realidade concreta no Brasil. Com ele, cresce também a responsabilidade coletiva de garantir dignidade, proteção e qualidade de vida às pessoas idosas, especialmente àquelas em situação de maior vulnerabilidade. Reconhecer as ILPIs como parte também da estrutura de saúde pública não é apenas uma discussão administrativa ou orçamentária. Trata-se de um debate sobre direitos humanos, dignidade e responsabilidade social.

