Por Carmen Moreira Merlo, CEO- Syllos Gestão Inteligente de Documentos
Recentemente, visitei as instalações do jornal Zero Hora, do Grupo RBS. Embora minha trajetória de mais de duas décadas na Ciência da Informação tenha me levado a conhecer inúmeros arquivos, bibliotecas e centros de documentação, essa experiência despertou uma reflexão que vai além do jornalismo, da tecnologia e da própria gestão da informação. Ela fala sobre o tempo.
Ao percorrer os corredores do jornal, imaginei gerações de profissionais dedicadas a registrar os acontecimentos de cada época. Houve um tempo em que a notícia nascia entre máquinas de datilografia, chapas de impressão e pilhas de papel. Hoje, ela percorre redes digitais e plataformas acessíveis em segundos.
O que mais me impressionou não foram os equipamentos que evoluíram ao longo das décadas, mas as pessoas que testemunharam essa transformação. Profissionais que viram o mundo migrar do analógico para o digital e compreenderam que a tecnologia é apenas um meio. O verdadeiro patrimônio sempre foi a informação e o significado que atribuímos a ela.
Vivemos uma era em que produzimos volumes inimagináveis de dados, textos, imagens e registros. Ao mesmo tempo, nunca foi tão desafiador garantir que essa memória sobreviva. Se antes a preocupação era preservar o papel, hoje buscamos proteger arquivos digitais diante da obsolescência tecnológica, dos riscos cibernéticos e da rápida transformação dos sistemas.
Mais do que noticiar o presente, eles constroem a memória do futuro
Ao longo da minha carreira, aprendi que preservar não é simplesmente armazenar. É garantir contexto, autenticidade e acesso. É permitir que futuras gerações compreendam não apenas o que aconteceu, mas como pensávamos, escrevíamos e vivíamos.
Talvez essa seja a grande lição dos jornais. Mais do que noticiar o presente, eles constroem a memória do futuro. Porque, no fim, preservar informações é mais do que guardar documentos. É garantir que a história continue encontrando leitores, mesmo quando seus autores já não estiverem aqui para contá-la.



