Por Adão Villaverde, engenheiro, professor da Escola Politécnica da PUCRS, consultor SemiCon Tecnopuc e Chair SemiCon-LAC 2026
Irá se realizar entre quarta e sexta-feira, no Tecnopuc, o Simpósio de Semicondutores da América Latina e Caribe, nominado SemiCon-LAC 2026. Ele tratará destes diminutos dispositivos gigantes, que hoje movem o mundo, com um amplo apoio, sobretudo, do que nominamos de quádrupla hélice, o setor empresarial, o governamental, a academia e a sociedade, orientado pelas demandas do RS, do Brasil e da região.
Será um evento que articulará quatro elementos fundantes para um projeto dos países: será intensivo em business, irá emular seus potenciais de autonomia e independência científico-técnica, potencializará a soberania geopolítica das nações e deve ser uma resposta, de competência estratégica, para mergulharmos definitivamente na cadeia global de semicondutores. Evidentemente que nos marcos, alcances e limites que o nosso potencial de domínio e expertise na área nos permite hoje e a médio prazo.
Os chips são o quarto produto mais comercializado no mundo, depois do petróleo bruto, do refinado e do automóvel, e são estruturantes para esses três. A projeção de valores para seu mercado global na década que se descortinará é da ordem de US$ 1,3 trilhão.
Já temos um ecossistema com mais de 20 empresas no país
A concentração de sua manufatura no Pacífico Leste, ao mesmo tempo que potencializou a região e seus países, revelou a incapacidade de atender à demanda alavancada a partir da tragédia pandêmica e outros catalisadores, como a crise climática, a necessidade da transição energética e as demandas por eletroeletrônicos de consumo. Estes últimos amplificaram a competição pelos dispositivos, impondo uma dinâmica econômica global que revelou a necessidade de desconcentração dessa única região, que hoje domina cerca de 80% da manufatura global no estado da arte desses dispositivos.
Brasil e região investem nesse setor desde a metade do século passado. Já temos um ecossistema com mais de 20 empresas no país e os requisitos e elementos-chave para o domínio e a expertise da cadeia completa do setor.
O evento objetiva potencializar nosso capital humano, buscar parcerias e investimentos e posicionar o solo rio-grandense e brasileiro no mapa regional e global de semicondutores.

