Por Rodrigo Sousa Costa, presidente da Federação de Entidades Empresariais do RS (Federasul)
Nas últimas quatro décadas, o ambiente cada vez mais hostil ao empreendedorismo fez o Rio Grande do Sul afugentar investimentos, enfraquecer setores econômicos e comprometer sua capacidade de arrecadação – culminando na crise de 2015, com atraso de salários de servidores, êxodo e colapso nos serviços de segurança, saúde e educação.
O preço da omissão coletiva surgiu como ferida exposta na escassez de recursos, impondo sacrifícios à iniciativa privada e ao funcionalismo até que se atingisse um frágil equilíbrio fiscal.
Um Estado que já foi referência em diversas áreas precisa agora se reerguer de uma sequência de fenômenos climáticos extremos, em meio a dívidas acumuladas, superando uma postura que persiste em criar obstáculos ao desenvolvimento sustentável. Um povo sério e vocacionado ao trabalho, refém de grupos que impõem o conflito no lugar da cooperação.
Desperdiçamos oportunidades sustentáveis, colhendo decadência para todos
Dispomos de bons quadros técnicos, órgãos de fiscalização éticos e idealistas, sendo rara a convivência com escândalos de corrupção. E mesmo assim, na litigância de poucos, desperdiçamos oportunidades sustentáveis, colhendo decadência para todos.
Neste momento, o Rio Grande do Sul está no centro de oportunidades únicas, podendo assumir uma posição mundial relevante em termos de segurança energética, soberania de dados, inovação, segurança mineral e alimentar, mas que depende de um ambiente acolhedor e seguro para quem empreende.
É imprescindível saber separar, na atuação individual, a autonomia funcional necessária à proteção do interesse público daquela que age em desfavor da sociedade, com exigências que extrapolam os limites da lei, intimidando investidores com insegurança jurídica ou atraso.
Como sociedade democrática, inspirados nas palavras de Rui Barbosa, "Justiça atrasada não é Justiça, senão injustiça qualificada e manifesta", precisamos demonstrar capacidade de autocorreção, com instituições oferecendo respostas rápidas, resgatando um ambiente seguro pela cooperação.
Este texto faz parte de uma série sobre o desenvolvimento do RS. Os autores participaram da ouvidoria do Conselho Editorial que debateu soluções para destravar o Estado em diferentes frentes.

