Por Nira Broner Worcman, jornalista, CEO da Art Presse Comunicação e autora de Enxugando Gelo
Cecilia Culver, formanda de 2025 pela George Washington University (GW), subiu ao palco de sua colação de grau, acusou Israel de genocídio e convocou um boicote à instituição. O detalhe: a universidade havia revisado seu discurso, mas as falas polêmicas foram omitidas na versão aprovada. Culver entregou um texto e proferiu outro.
A GW classificou o ato como desonesto. A Ernst & Young, onde ela trabalhava, demitiu-a logo depois. Agora, a jovem processa a empresa em 5 milhões de dólares. Mas, antes do julgamento, cabe uma pergunta: onde estava a universidade quando essas ideias foram ensinadas?
O caso sinaliza uma crise de responsabilidade no sistema acadêmico ocidental. No fim de 2023, lideranças de universidades de elite hesitaram no Congresso americano ao serem questionadas se "pedir o genocídio de judeus" violaria códigos de conduta. A resposta - de que "dependeria do contexto" - custou cargos e reputações.
Esse episódio expôs o que já se sentia nos corredores: cultivou-se um ambiente onde narrativas graves, como a acusação de genocídio sem respaldo jurídico consolidado, circulam sob o manto da liberdade acadêmica. Na GW, o padrão foi o mesmo. O caso da professora Lara Sheehi, acusada de discriminação contra alunos judeus e absolvida pela instituição após uma investigação interna rasa, ilustra essa passividade.
Agora, a GW chama Culver de "desonesta" por quebrar o script. No entanto, ela não inventou esse vocabulário; ela o absorveu no ambiente que a universidade construiu.
O diploma muitas vezes vem acompanhado de uma militância que ignora os fatos
Isso não a absolve. Trocar o discurso é desonestidade objetiva, e apresentar "genocídio" como fato estabelecido é ideologia disfarçada de certeza. A E&Y a dispensou porque uma consultoria que vende credibilidade não pode manter quem diz uma coisa e faz outra.
O que ocorre na GW é o rascunho de um modelo que já desembarcou no Brasil, onde o diploma muitas vezes vem acompanhado de uma militância que ignora os fatos. Jovens recitam slogans aprendidos em salas de aula cujo viés ninguém contrapõe. O principal réu veste toga acadêmica.
Culver foi desonesta com a universidade. A universidade, com todos.




