Por Guilherme Diehl, presidente da Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul (Sorigs)
No consultório, todos os dias, vemos uma realidade diferente daquela de anos atrás. Hábitos modernos, envelhecimento populacional e o uso prolongado de telas têm se somado para construir um cenário preocupante: o aumento das doenças oculares no Brasil.
Parte dessa realidade se explica pelo comportamento dos pacientes. Na maioria das vezes, quem chega ao consultório oftalmológico busca atendimento porque já sente algum desconforto. Diferentemente do que acontece em outras áreas da saúde, como a ginecologia, ou em especialidades procuradas por histórico familiar, o cuidado com os olhos ainda costuma ser adiado. Assim, é comum que os pacientes cheguem já com sintomas e, dependendo do caso, torna-se mais difícil evitar a perda de visão.
Esse cenário não é exclusivo do Brasil. No mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 285 milhões de pessoas convivem com algum tipo de deficiência visual, sendo que entre 60% e 80% desses casos poderiam ser evitados ou tratados. Impressiona o fato de a saúde ocular perder espaço e cada vez mais pessoas deixarem de enxergar num mundo em que os olhos são fundamentais.
Entre as condições mais comuns, a miopia segue em crescimento, especialmente entre jovens e adultos. Já entre a população acima dos 60 anos, a catarata permanece como uma das principais causas de perda de visão, embora tenha tratamento cirúrgico altamente eficaz. O glaucoma, por sua vez, representa um dos maiores desafios da oftalmologia por seu caráter silencioso. Outro problema cada vez mais frequente é a síndrome do olho seco, associada ao tempo prolongado em ambientes com ar-condicionado e ao uso intenso de telas.
Grande parte das doenças oculares pode ser prevenida ou controlada
Diante desse contexto, é importante reforçar que grande parte das doenças oculares pode ser prevenida ou controlada com diagnóstico precoce. Consultas regulares continuam sendo a forma mais eficaz de preservar a visão ao longo da vida.
Diante do fato de que a visão é responsável por cerca de 85% das informações que o cérebro processa, tratá-la como prioridade não deveria ser uma exceção, mas um hábito. Adiar esse cuidado pode custar muito caro.
