Por Viviane Viebrantz Herchmann, educadora do Colégio Marista Rosário
A leitura de clássicos literários ultrapassa o espaço da sala de aula e se afirma como ferramenta essencial na formação humana. Ao entrar em contato com diferentes universos ficcionais, o estudante amplia sua percepção de mundo, exercita a empatia e desenvolve a capacidade de refletir sobre distintas realidades, inclusive a sua.
Personagens marcantes ajudam a tornar essas reflexões mais concretas. Ao acompanhar a trajetória de Fantine, em Os Miseráveis, de Victor Hugo, o leitor se depara com temas como a exploração do trabalho e a marginalização da mulher. Inserida no contexto posterior à Revolução Francesa, a narrativa nos permite sentir, como leitores, o sofrimento, fruto do abandono e do preconceito. Também nos oportuniza acompanhar o verdadeiro amor de mãe, que se sacrifica incondicionalmente à filha.
Personagens marcantes ajudam a tornar essas reflexões mais concretas
No ambiente escolar, a escolha de obras clássicas amplia o repertório cultural e estimula o pensamento crítico. Textos como A Megera Domada, de William Shakespeare, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e O Menino do Pijama Listrado, de John Boyne, oferecem múltiplas possibilidades de análise, seja social, histórica ou emocional.
Outras leituras aprofundam discussões relevantes para a formação dos jovens. Em Frankenstein, de Mary Shelley, a criatura é uma referência de personagem que é fruto de uma "irresponsabilidade" do seu criador, e traz questões como sentimento de solidão, preconceito e abandono. Já em Um Estudo em Vermelho, de Arthur Conan Doyle, o raciocínio lógico e a observação científica conduzem a narrativa, mostrando como a literatura também estimula a análise e a investigação.
Além de ampliar o vocabulário e qualificar a comunicação, a leitura permite que o estudante compreenda sua própria subjetividade e desenvolva um olhar mais sensível para o outro. É por meio da palavra que significamos e ressignificamos nossa subjetividade.
Precisamos compreender melhor para olhar com mais sensibilidade o outro. Isso é a base de um sujeito, inclusive, cidadão: ser alguém que consegue entender as diferenças e a importância de cada um na sociedade.

