Por Fernando Lucchese, fundador e presidente do Conselho da Casa Madre Ana
Há 10 anos, a Santa Casa de Porto Alegre criou a Casa de Apoio Madre Ana para acolher pacientes sem recursos vindos do interior do Rio Grande do Sul e de todo o Brasil. O prédio, doado pelas irmãs franciscanas com intermediação do cardeal Jaime Spengler, fica a duas quadras do hospital.
A estrutura conta com 88 leitos, biblioteca Jardim das Letras, idealizada e coordenada por Tânia Carvalho, salas de convivência, jardim de inverno, brinquedoteca, parquinho e quartos equipados. O projeto se iniciou com apoio das Voluntárias pela Vida, grupo organizado por Nora Teixeira. Depois, Cláudia Bartelle e mais de 120 embaixadoras passaram a garantir a manutenção e as reformas da casa por meio do bazar anual Cláudia & Friends, realizado há seis anos.
Ao longo dessa trajetória, centenas de apoiadores, entre pessoas físicas, empresas e parlamentares, contribuíram com doações de alimentos, roupas, móveis, materiais de higiene e recursos. A mobilização da sociedade permitiu que a Santa Casa nunca precisasse custear financeiramente a manutenção da Casa. O Brechó da Ana, aberto duas vezes por semana, ajuda a complementar as despesas mensais.
Ao longo dessa trajetória, centenas de apoiadores contribuíram com doações
Em uma década, a Casa Madre Ana recebeu mais de 8 mil hóspedes, número que traduz a dimensão humana e social do acolhimento realizado pela instituição. Metade veio do interior gaúcho e a outra metade de 26 Estados brasileiros. São pacientes, em sua maioria crianças, que buscam na Santa Casa tratamento para cardiopatias congênitas, transplantes e câncer.
Uma das histórias mais marcantes foi a de um menino indígena de Rondônia que permaneceu um ano na Casa enquanto aguardava um transplante renal. Nesse período, aprendeu a ler, escrever e falar português com apoio das voluntárias. Voltou para sua tribo com um novo rim e novas perspectivas.
A Casa Madre Ana é resultado da solidariedade e da generosidade dos gaúchos.

