Por Fernando Goldsztein, fundador da The Medulloblastoma Initiative, conselheiro da Children’s National Foundation e MBA — MIT, Sloan School of Management
Se você já passou por períodos de ansiedade, insônia, estresse, burnout, tristeza persistente, baixa autoestima, dificuldade de concentração, solidão, dependência do celular ou vício em redes sociais, talvez valha a pena continuar lendo este texto.
É claro que sentir um ou mais desses sintomas não significa, necessariamente, ter um diagnóstico de saúde mental. Mas pode ser um sinal de que algo merece ser observado com mais atenção. Problemas ligados ao cérebro, à mente e ao nosso equilíbrio emocional são muito mais frequentes do que se imagina. E isso parece ainda mais verdadeiro em uma época em que vivemos mergulhados no mundo digital — sugados por feeds infinitos, grupos de WhatsApp e notificações incessantes.
O modo de vida contemporâneo — hiperconectado, acelerado e exigente — intensifica fatores de risco e torna esse debate ainda mais urgente
Segundo a Organização Mundial da Saúde, uma em cada oito pessoas no mundo convive com algum transtorno mental. O modo de vida contemporâneo — hiperconectado, acelerado e exigente — intensifica fatores de risco e torna esse debate ainda mais urgente.
O fenômeno se manifesta em todos os lugares: nas empresas, nas famílias, nas relações pessoais e também nas escolas. Dificuldades de aprendizado, atrasos no neurodesenvolvimento, problemas de atenção e sofrimento emocional desafiam educadores e famílias, exigindo um olhar mais atento desde a primeira infância.
Todos esses temas serão amplamente discutidos aqui, em Porto Alegre, que por uma semana será a capital mundial do cérebro. De 1º a 7 de junho de 2026, a primeira edição da Brain Week levará conhecimento científico à população, com atividades gratuitas em escolas, centros culturais, universidades, hospitais, espaços públicos e hubs de inovação.
Em paralelo, de 3 a 6 de junho, o Brain Congress reunirá, no Centro de Eventos Fiergs, mais de 7 mil participantes, entre médicos, pesquisadores, neurologistas, profissionais da saúde mental, estudantes e representantes da indústria.
Será uma oportunidade única para aproximar ciência e sociedade — e para lembrar que cuidar do cérebro não é uma preocupação restrita a hospitais ou consultórios. É uma questão humana, coletiva e cada vez mais central para o futuro das próximas gerações.



