Por Márcio Carvalho, copresidente da Fundação Bienal do Mercosul
A parceria entre a Fundação Bienal do Mercosul e o Instituto Caldeira não representa apenas a criação de novo espaço cultural em Porto Alegre. Ela aponta para uma convicção: a de que a arte contemporânea não pode existir apenas como acontecimento episódico. Se uma bienal tem relevância pública real, precisa também encontrar formas de permanência.
Ao longo de sua trajetória, a Bienal do Mercosul ocupou museus, centros culturais, universidades e outros espaços que acolheram exposições, seminários, ações educativas e itinerâncias. Essa história de circulação foi fundamental para sua construção. Mas chega um momento em que uma instituição também precisa ter uma casa. Não como gesto de fechamento, e sim de maturidade. Não para concentrar, mas para receber.
O Espaço Bienal no Caldeira nasce desse entendimento
O Espaço Bienal no Caldeira nasce desse entendimento. Pela primeira vez, a Bienal passa a ter uma presença permanente, inserida em um território de reinvenção urbana. Mais do que um endereço, esse espaço representa a possibilidade de continuidade. Representa a chance de a fundação existir também entre as edições, ampliando sua atuação como lugar de pensamento, formação e articulação institucional.
Durante décadas, a Bienal foi recebida por instituições parceiras. Agora, passa a poder retribuir esse gesto, abrindo seu espaço para acolher projetos, diálogos e proposições de outras instituições. A casa também servirá de base para o projeto educativo permanente em desenvolvimento, voltado ao sistema escolar, ao benefício de crianças e adolescentes e à formação de arte-educadores para atuar no sistema cultural.
É nesse contexto que surge a Galeria Bienal, orientada às tecnologias emergentes nas artes visuais. Sua criação responde a uma questão de tempo histórico. Se o mundo está sendo redesenhado por novas tecnologias, a arte precisa estar presente não apenas para acompanhá-las, mas para interrogá-las e imaginar outros futuros possíveis.
Mais do que um novo espaço, o que se inaugura aqui é uma nova hipótese de cidade.




