Por Luiz Carlos Bohn, presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac e Ifep
Há palcos que permanecem fixos e há aqueles que giram, deslocam, conectam. Carregam sotaques, estéticas, narrativas e diferentes modos de ver o mundo. Ao girar, aproximam realidades, ampliam repertórios e transformam a arte em ponte entre territórios. A arte tem essa vocação silenciosa e potente de atravessar fronteiras. Conecta, em uma linguagem de ressonância ampla, distintas realidades. Encurta distâncias físicas e provoca deslocamentos, convidando artista e público a olhar o país por múltiplas perspectivas.
É nesse espírito que o Palco Giratório chega a sua 28ª edição. Criado em 1998 pelo Sesc, o circuito nacional consolidou-se como a principal iniciativa de circulação das artes cênicas no Brasil, conectando grupos de todas as regiões e promovendo intercâmbio artístico ao longo do ano. Se o circuito nacional segue rumo ao seu 30º ano, o Festival Palco Giratório Sesc em Porto Alegre celebra 20 anos de história. Realizado tradicionalmente entre maio e junho, o festival organiza, na Capital, um recorte concentrado dessa engrenagem. Integra os grupos selecionados para a itinerância nacional, espetáculos convidados e produções gaúchas.
Em seu aniversário de duas décadas, o evento assume um papel inédito
Em seu aniversário de duas décadas, o evento assume um papel inédito: sediar o lançamento nacional do circuito Palco Giratório. De 14 a 17 de abril, a Capital torna-se o ponto inicial da itinerância de 2026. A partir daqui, os grupos selecionados seguem viagem e percorrem o país até o fim do ano. Entre esses, dois gaúchos, evidenciando a força da produção do Estado e sua inserção em uma rede artística de alcance nacional.
Este giro que começa aqui projeta o que vem adiante: um tempo vindouro em que os palcos continuam a se mover, a provocar, a iluminar. Quando a cena circula, o Brasil se reconhece em movimento – e é assim que a cultura encontra fôlego para seguir revelando nossas diversas realidades.
