Por Marcelo Matias, presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers)
A proposta de dispensar o exame médico na renovação da Carteira Nacional de Habilitação pode parecer, à primeira vista, uma medida de simplificação. Mas, na prática, representa um risco real à segurança de todos.
Dirigir não é apenas um direito. É uma responsabilidade que exige condições físicas e mentais adequadas. A avaliação médica periódica não é um detalhe burocrático. É um mecanismo de proteção à vida.
Ao longo da vida, todos nós passamos por mudanças naturais – na visão, nos reflexos, na atenção e na própria condição de saúde. Muitas dessas alterações são sutis e fazem parte do processo humano. Justamente por isso, precisam ser acompanhadas com cuidado e responsabilidade, especialmente quando envolvem atividades que exigem atenção constante, como a condução de um veículo.
Eliminar essa etapa significa transferir ao indivíduo uma responsabilidade que nem sempre ele consegue perceber sozinho. E, mais do que isso, expõe toda a sociedade a riscos evitáveis.
O trânsito já é um dos ambientes mais desafiadores em termos de saúde pública
Não se trata de dificultar a vida do cidadão. Trata-se de preservar vidas. A lógica da simplificação administrativa não pode se sobrepor à segurança coletiva. Há áreas em que o cuidado não é opcional.
O trânsito já é um dos ambientes mais desafiadores em termos de saúde pública. Qualquer medida que reduza mecanismos de avaliação e prevenção deve ser analisada com extremo rigor.
A medicina tem um papel fundamental nesse processo. Não como obstáculo, mas como aliada na construção de um trânsito mais seguro. Modernizar processos é necessário. Mas modernizar não é eliminar critérios essenciais.
Quando o tema é segurança no trânsito, a pergunta não pode ser apenas o que é mais simples. Precisa ser, antes de tudo, o que é mais seguro.



