Por Marcelo Hartmann, superintendente-geral da Unimed Porto Alegre
Abril é reconhecido como o mês da conscientização sobre o transtorno do espectro autista, uma oportunidade para ampliar o olhar da sociedade sobre uma condição que exige conhecimento, empatia e acolhimento.
Dados do Censo de 2022, divulgados pelo IBGE em 2025, mostram a dimensão desse tema no Brasil, que tem cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com autismo, o que representa cerca de 1,2% da população. Mais do que de números, estamos falando de pessoas, famílias e histórias que evidenciam a necessidade de um sistema de saúde preparado para oferecer cuidado contínuo e integrado.
O aumento dos diagnósticos nos últimos anos está relacionado, em parte, à maior conscientização e evolução dos critérios clínicos. Ainda assim, persistem desafios importantes, como o acesso ao diagnóstico precoce, especialmente em regiões com menor estrutura, e a continuidade do cuidado ao longo da vida, algo que vai muito além da infância.
O cuidado exige uma abordagem multidisciplinar, envolvendo médicos, terapeutas, educadores e, principalmente, a participação ativa da família. Nesse contexto, o acolhimento deixa de ser um complemento e passa a ser parte essencial. Outro aspecto é a inclusão. Crianças, jovens e adultos com autismo ainda enfrentam barreiras significativas na educação, no mercado de trabalho e na vida social. Promover ambientes mais acessíveis e preparados é um compromisso coletivo que envolve saúde, educação e toda a sociedade.
Mais do que conscientizar, este é um convite à ação
Na saúde suplementar, esse cenário traz desafios adicionais. É preciso conciliar o avanço das terapias, a ampliação do acesso e a sustentabilidade do sistema, garantindo que o cuidado seja efetivo, contínuo e centrado nas pessoas.
Falar sobre autismo, portanto, é falar sobre respeito às diferenças. É entender que cada pessoa tem seu próprio tempo, sua forma de se comunicar e de se relacionar com o mundo. Mais do que à conscientização, este é um convite à ação. Acolher, ouvir e compreender são atitudes que transformam a forma como convivemos em sociedade.