Por Sérgio Gilberto Porto, professor emérito da PUCRS, ex-procurador-geral de Justiça do RS e doutor em direito
Com muita tristeza percebo que em alguns setores importantes da República a educação fracassou! Vivenciamos uma crise ética avassaladora que despedaçou o país. Quem, dos poderosos de Brasília, merece nossa confiança?
O Poder Executivo, através de alguns de seus membros, como largamente noticiado, tem suas digitais assentadas em atos de corrupção. O Legislativo, com seus habituais conchavos, faz muito está desacreditado. E agora, lamentavelmente, os tentáculos da nociva cultura do jogo de influências parece alcançar nossa Suprema Corte. Essa sempre foi a verdadeira reserva moral da nação. “Nunca, antes, na história desse país” a turbulência moral havia chegado às portas do Supremo Tribunal Federal (STF).
Hoje, como sabemos, ministros da corte são citados, conforme reiteradamente tem sido destacado pela mídia, em atos de duvidosa higidez ética
Daí ser esta a maior crise comportamental de nossa história. Hoje, como sabemos, ministros da corte são citados, conforme reiteradamente tem sido destacado pela mídia, em atos de duvidosa higidez ética. Desses se esperava que de forma veemente ocorresse o repúdio a tais ilações. Contudo, não é isso que se observa. Apenas notas de esclarecimento não convincentes. Manifestações que não geraram a transparência necessária que se exige dos homens que exercem funções públicas. Esquecem, contudo, os ministros embricados em situações embaraçosas que o próprio direito cuidou de valorar negativamente condutas de titubeante clareza e, por decorrência, inevitavelmente o STF, para resgatar a credibilidade institucional, terá que permitir uma profunda investigação sobre os fatos, respeitado o devido processo e, se necessário, acaso sobrevenham conclusões desabonatórias, cortar na própria carne como forma de tentar resgatar a necessária credibilidade.
O que está em causa, portanto, não é apenas a conduta de agentes públicos de alta investidura, mas a reconstrução das próprias instituições. Espero que os órgãos que serão convocados a enfrentar a questão tenham consciência disso!


